Obama quer resolver crise ucraniana até final do mandato

O Presidente norte-americano, Barack Obama, informou o seu homólogo russo, Vladimir Putin, que pretende resolver a crise ucraniana antes de deixar a Casa Branca, em janeiro.

Lusa /
Barack Obama na Cimeira da APEC, no Peru Kevin Lamarque - Reuters

"Falei com ele [Vladimir Putin] sobre a Ucrânia e sobre a necessidade de regular a questão", afirmou Obama numa conferência de imprensa em Lima, no Peru, onde termina hoje a cimeira do Fórum para a Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).

"Pressionei-o no sentido de dar instruções aos seus negociadores para que trabalhem connosco, com França, com a Alemanha e com a Ucrânia para ver ser podemos chegar a um acordo antes do fim do meu mandato", acrescentou o ainda Presidente dos Estados Unidos da América, que sairá da Casa Branca a 20 de janeiro, quando Donald Trump tomará posse.Países da Ásia-Pacífico querem acordo comercial

O Presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou no domingo que os dirigentes da região Ásia-Pacífico decidiram continuar os esforços para adotar o Acordo Transpacífico (TPP), que está agora fragilizado pela eleição de Donald Trump para a Casa Branca.

"Os nossos parceiros disseram claramente que querem ir em frente com o TPP", afirmou Barack Obama.

"E eles querem fazê-lo com os Estados Unidos", disse ainda o democrata, na sua última deslocação ao estrangeiro enquanto Presidente dos Estados Unidos, numa alusão à oposição do seu sucessor Donald Trump relativamente a este acordo.

O TPP (sigla inglesa de Trans-Pacific Partnership) foi assinado por 12 países - entre os quais os Estados Unidos, o Japão, o Canadá e o México -, mas, para entrar em vigor, precisa ainda da forte aprovação do Congresso norte-americano, que é controlada pelos republicanos, o que torna esta aprovação improvável.

O acordo prevê um período de dois anos para a sua ratificação pelos respetivos parlamentos.

A sua entrada em vigor requer que haja uma representação de pelo menos 85% do Produto Interno Bruto (PIB) combinado dos países subscritores, o que faz com que seja impossível avançar sem as economias mais poderosas: Japão e Estados Unidos.

Os dirigentes dos 21 países do Fórum para a Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) comprometeram-se hoje "a combater qualquer forma de protecionismo", segundo a declaração do final do encontro que terminou hoje em Lima, Peru.

Os membros do fórum rejeitaram políticas económicas protecionistas num contexto de "uma lenta e desigual recuperação da crise financeira de 2008", como descrito na declaração final.Declaração final APEC


Neste documento, os líderes das 21 nações do APEC referem que vão continuar a trabalhar para um acordo de livre comércio que inclua todos estes países.

No entanto, estas perspetivas para um novo pacto económico foram assombradas pelo ceticismo do Presidente norte-americano eleito, Donald Trump, em relação ao livre comércio, bem como pelo voto dos britânicos para a saída da União Europeia, aprovada pelos britânicos em referendo já em junho.

Criado em 1989, o APEC é um fórum composto por 21 países da Ásia e do Pacífico que promove o comércio livre na região, com o objetivo de criar mais prosperidade para os povos através de um crescimento equilibrado, inclusivo, sustentável e inovador.

Entre os países que integram este fórum estão a Austrália, o Canadá, o Chile, a China, o Japão, a Malásia, o México, a Rússia, Singapura, a Tailândia e os Estados Unidos da América.

No seu conjunto, os países da zona Ásia-Pacífico, que são os que mais beneficiaram da globalização, representam 60% do comércio mundial e 40% da população global.

A outra peça no sapato do Obama

 

O Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, afirmou no domingo que não está otimista quando ao futuro imediato da Síria, numa altura em que a cidade de Alepo está debaixo de bombardeamentos.

"Não estou otimista sobre as perspetivas a curto-prazo para a Síria", declarou o governante.

Obama, que deixará a Casa Branca em janeiro para ser sucedido por Donald Trump, sublinhou que a segunda cidade síria (depois da capital, Damasco) está prestes a ser derrubada.

"Uma vez que a Rússia e o Irão decidiram apoiar [o Presidente sírio] Assad numa campanha aérea brutal, [...] é difícil ver uma forma de a oposição, mesmo a moderada, manter a sua posição por muito tempo", afirmou.

O governante apelou no domingo para que haja mais esforços para acabar com a violência na Síria, um país que tem sido devastado pela guerra, numa breve conversa com o Presidente russo, Vladimir Putin.

Obama esteve com o homólogo russo à margem da cimeira de Lima, naquele que poderá ser o seu último encontro com Putin antes de deixar a presidência dos Estados Unidos.

Atualmente, há fortes bombardeamentos na cidade de Alepo, controlada pelos rebeldes.

"Sobre a Síria, o Presidente sublinhou a necessidade de o secretário [John] Kerry e o ministro dos Negócios Estrangeiros [Sergei] Lavrov continuarem as iniciativas, juntamente com uma comunidade internacional mais ampla, para diminuir a violência e aliviar o sofrimento do povo da Síria", afirmou um oficial da Casa Branca.

As forças do Governo sírio lançaram na terça-feira uma ofensiva para recuperar o território rebelde de Alepo através de ataques aéreos, bombas e artilharia.

Moscovo, que começou uma intervenção militar de apoio ao Governo do Presidente Bashar al-Assad no ano passado, afirma que não está envolvido neste ataque de Alepo e que está a concentrar os seus esforços numa província próxima.

Ataques cibernéticos fora da agenda


O Presidente dos EUA disse no domingo que o seu sucessor, Donald Trump, deve ter a oportunidade de formar equipa e definir políticas "sem ninguém se meter", mas prometeu falar se os valores e ideais do país forem ameaçados.

"Eu quero ser respeitoso e dar ao Presidente eleito uma oportunidade para pôr em marcha a sua plataforma e os seus argumentos sem ninguém se meter", afirmou Barack Obama.

O Presidente norte-americano ressalvou, contudo, que se forem colocadas em causa questões fundamentais sobre os valores e ideais dos Estados Unidos da América irá intervir: "Se eu achar que é necessário ou útil defender esses ideais então vou analisar [essas questões] quando surgirem", afirmou no Peru.

"Temos de esperar e ver", frisou Obama, repetindo a mensagem que levou na sua visita à Grécia e à Alemanha.

Na conferência de imprensa, o Presidente norte-americano disse também que no seu breve encontro com Putin não foram abordados os alegados ataques cibernéticos da Rússia para interferir nos resultados das eleições dos Estados Unidos.

A acusação foi feita oficialmente em outubro pela administração Obama.

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