Obesidade. Países de menores rendimentos serão os mais afetados em 2030

A taxa de obesidade mundial pode vir a ser o dobro até 2030, de acordo com estimativas mundiais. A Organização Mundial de Saúde avisou que não há nenhum país que esteja dentro dos alvos a atingir em relação à obesidade. Os países de menores rendimentos serão os mais afetados.

RTP /
EPA

Uma em cada cinco mulheres, um em cada sete homens deverão ser obesos em 2030, é o que prevê o World Obesity Atlas, citado por The Guardian. Um fenómeno prejudicial à saúde que terá cada vez mais projeção em países de rendimentos médios e baixos. Prevê-se que nos próximos oito anos, o número de pessoas obesas triplique nesses países, comparado com números de 2010.

Johanna Ralston, diretora da Federação Mundial de Obesidade, avisou que os líderes políticos têm de reconhecer o problema e a gravidade que terá no futuro e, assim, agir sobre o mesmo.

Os números no relatório são chocantes mas o que choca ainda mais é a resposta inexpressiva que temos dado. Todos têm direito a prevenir esta doença, a tratá-la e a ter acesso a maneiras de controlo que lhe sejam acessíveis. Agora é a altura para ação centrada em pessoas para virar a maré na obesidade”, declarou Ralston.

A maior taxa de obesidade no mundo encontra-se na América do Norte, América Latina e nas Caraíbas. É possível que em 2030 perto de metade da população dos Estados Unidos (47%) seja obesa.

No entanto, espera-se que os números tripliquem em África, com as mulheres a serem mais afetadas que os homens. Estima-se que cerca de 74 milhões de mulheres no continente africano viverão com obesidade em 2030, números muito superiores aos oito milhões em 2010.

Na África do Sul, estima-se que metade das mulheres será obesa em 2030 e na Argélia um terço dos homens também será obeso.

Apesar de continuar a lidar com problemas de malnutrição (treze milhões de pessoas sofrem de fome severa), em África existem cada vez mais mortes associadas aos perigos da obesidade.

Adelheid Onyango, do gabinete regional para África da OMS, disse que apesar de o maior problema no continente ser a malnutrição ninguém pode fechar os olhos à obesidade. “Já é reconhecido como um problema de saúde pública”.

“As nossas taxas de obesidade têm sido baixas e o crescimento no futuro será dramático. Estamos a ver uma mudança nas dietas de comida pouco saudável. Medidas e sistemas reguladores de comida açucarada, com alto teor de gordura e processada são fracos por todo o continente”.

O Atlas da Obesidade faz rankings de países preparados para atacar o problema da obesidade. Aqueles de maiores rendimentos e com melhores sistemas de saúde são os que têm maiores hipóteses de sucesso, algo que não acontece nos países de menores rendimentos, deixando populações vulneráveis aos perigos da obesidade.

Mais 150 especialistas escreveram a vários ministros da saúde a pedir maior ação internacional contra a obesidade.
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