Observadores eleitorais africanos condenam golpe de Estado

Observadores eleitorais africanos condenam golpe de Estado

Os chefes das missões de observadores eleitorais de organizações africanas que acompanharam as eleições gerais de domingo na Guiné-Bissau condenaram hoje a tomada do poder pelos militares enquanto a nação aguarda pelo anúncio dos resultados eleitorais.

Lusa /

"Deploramos esta tentativa flagrante de perturbar o processo democrático", lê-se num comunicado conjunto dos chefes de Missão de Observação Eleitoral da União Africana, da CEDEAO(Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e do Fórum dos Anciãos da África Ocidental.

Os chefes das missões exprimem "profunda preocupação com o anúncio de um golpe de Estado pelas Forças Armadas" e lamentam que "tenha sido feito numa altura em que as missões acabavam de concluir os encontros com os dois principais candidatos, que garantiram a sua disponibilidade em aceitar a vontade do povo".

O anúncio da tomada do poder na Guiné-Bissau pelos militares seguiu-se a um tiroteio, no centro da capital, que começou pelas 12:40 de hoje e demorou cerca de meia hora.

Os chefes das missões exprimem ainda preocupação com a detenção de altos oficiais, incluindo responsáveis pelo processo eleitoral" e instam as Forças Armadas "a libertar os detidos imediatamente para permitir que o processo eleitoral do país prossiga até à sua conclusão".

Estas missões de observadores internacionais acompanharam o processo eleitoral e concluíram que a votação decorreu de "forma ordeira e pacífica", no domingo, 23 de novembro, para a escolha do novo Presidente e dos 102 deputados da Assembleia Nacional Popular.

Os chefes das missões apelam ao povo da Guiné-Bissau "a manter-se calmo" e reafirmam o "empenho em apoiar o país no percurso democrático", destacando "a importância da preservação da paz, estabilidade e bem-estar do povo guineense durante este período sensível".

O golpe de Estado de hoje ocorreu a menos de 24 horas da data anunciada pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau para a divulgação dos resultados oficiais das eleições gerais.

No dia seguinte à votação, na segunda-feira, o candidato da oposição Fernando Dias reclamou vitória na primeira volta contra o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

Em comunicado, lido na televisão estatal guineense TGB o porta-voz do Alto Comando Militar, Dinis N´Tchama, a população foi informada que os militares assumiram a liderança do país.

Na comunicação informa-se que foi "instaurado pelas altas chefias militares dos diferentes ramos das Forças Armadas, o Alto Comando Militar para a restauração da segurança nacional e ordem pública" e que o mesmo "acaba de assumir plenitude dos poderes de Estado da República da Guiné-Bissau".

O Alto Comando Militar acrescentou que depôs o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e que encerrou, "até novas ordens, todas as instituições da República da Guiné-Bissau".

Informou ainda que estão suspensas "as atividades de todos os órgãos de comunicação social", assim como decidiu "suspender imediatamente o processo eleitoral em curso".

Os militares encerraram também todas as fronteiras do país, terrestres, marítimas e espaço aéreo nacional, e estabeleceram "recolher obrigatório das 19:00 até 06:00, até repostas as condições necessárias para restaurar a normalidade constitucional do Estado guineense".

No comunicado, explicam que se trata de uma reação "à descoberta de um plano em curso de destabilização do país", atribuído a "alguns políticos nacionais com a participação de conhecidos barões de droga nacionais e estrangeiros".

Segundo os militares, o plano consistiria ainda na "tentativa de manipulação dos resultados eleitorais" das eleições gerais de domingo, cuja divulgação estava agendada para quinta-feira.

O Alto Comando Militar acrescenta que "foi descoberto pelo Serviço de Informação de Estado um depósito de armamento de guerra" destinado à "efetivação desse plano".

Desde a sua independência de Portugal, a Guiné-Bissau sofreu, com este, cinco golpes de Estado, 17 tentativas de golpe e uma série de mudanças de Governo.

 

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