Observatório denuncia morte de 51 presos na Venezuela por falta de atenção médica
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) denunciou hoje que mais dois presos morreram em julho na Venezuela, elevando para 51 o número de falecidos desde abril por falta de atenção médica atempada.
«Denunciamos a morte de Leonel Alberto Rincón Cumares e John Jairo Vargas devido a complicações de saúde e à falta de cuidados médicos, durante o mês de julho, no Centro de Formação do Homem Novo Dr. Francisco Delgado, conhecido como El Marite, no estado de Zulia», publicou o OVP na rede social X.
O OVP precisa ainda que com a morte anterior de Yoandry Medina González, também em julho, ascendem a três os mortos naquele centro de detençao no referido período.
"A crise humanitária nas prisões condena a população prisional à pena de morte», sublinha.
O OVP denuncia ainda que, nos 15 anos desde que foi criado o Ministério dos Serviços Prisionais, «os direitos da população prisional têm sido sistematicamente violados».
«Uma prova da falta de vontade política com relação à população é a superlotação nas prisões, nomeadamente em El Marite, que tem capacidade para acolher 700 reclusos e conta atualmente com uma população superior a 1.000 pessoas", uma ocupação superior a 143%, adianta.
O OVP sublinha que «o Estado tem o dever de zelar pelas pessoas sob a sua custódia». Além disso, adianta que é urgente o Ministério Público e a Procuradoria "investigarem a gestão do Ministério dos Serviços Prisionais, que não garante o acesso aos cuidados de saúde às pessoas privadas de liberdade».
Segundo a imprensa local, a Venezuela tem 32.200 detidas em prisões oficiais e 35.000 em celas policiais.
A organização não governamental Foro Penal (FP) denunciou esta quarta-feira que, a 03 de agosto, estavam detidas por motivos políticos na Venezuela 382 pessoas, das quais 356 homens e 26 mulheres. Do total, 222 são civis e 160 militares, todos adultos.
Entre os detidos encontram-se 40 cidadãos estrangeiros ou com dupla nacionalidade.