Oito mortos. Detido suspeito de segundo massacre na Sérvia

Foi detido nas últimas horas um homem armado suspeito de matar pelo menos oito pessoas e ferir mais de 13, na Sérvia. Na quinta-feira à noite, o alegado agressor disparou com uma arma automática em três localidades, a sul de Belgrado, provocando o segundo massacre no país em dois dias.

Carla Quirino - RTP /
Operações de busca durante a madrugada Antonio Bronic - Reuters

As buscas decorreram durante toda a madrugada. Foram mobilizados mais de 600 membros das Forças Especiais da Sérvia para procurar o suspeito.

O alegado atirador foi detido esta sexta-feira de manhã perto da cidade de Kragujevac, no centro da Sérvia, a cerca de 100 quilómetros a sul de Belgrado.

O Ministério do Interior confirmou que o suspeito foi preso após "uma extensa busca" pelas 8h40 (9h40 em Lisboa). As autoridades identificaram-no como um homem de 21 anos chamado Uros B.

A operação contou com unidades de helicópteros e de contraterrorismo, câmaras termográfica, drones e centenas de polícias.
O massacre
O atacante disparou a partir de um carro em movimento, na passagem por três localidades sérvias, perto de Mladenovac, a cerca de 60 quilómetros a sul da capital.

A comunicação social local noticiou que o suspeito começou a disparar sobre pessoas com uma arma automática depois de ter uma discussão com um polícia num parque em Dubona, na noite de quinta-feira. O agente e a irmã estão entre os mortos.
De acordo com testemunhas no local, o agressor começou a disparar a partir de um carro, matando pelo menos oito pessoas e ferindo outras 13.

Milan Prokić, morador de Dubona, relatou à Rádio Belgrado 1 que ouviu tiros perto de sua casa: "É triste, lamentável, trancámo-nos em casa para que os tiros não nos atingissem".

Todas as pessoas feridas internadas no hospital nasceram depois do ano 2000, informou a emissora sérvia RTS.

Duas pessoas de 21 e 23 anos foram operadas, mas permanecem em estado crítico.

A ministra da saúde, Danica Grujičić, e o chefe da Agência de Inteligência de Segurança, Aleksandar Vulin, viajaram para a área nas primeiras horas da sexta-feira.
Segundo tiroteio em dois dias
O ataque ocorreu um dia depois de um rapaz de 13 anos ter usado as armas do pai para matar oito colegas e um vigilante numa escola em Belgrado.

Embora a Sérvia esteja repleta de armas que sobraram das guerras dos anos 90, as autoridades tem registo de um primeiro ataque em 2013, quando um veterano de guerra matou 13 pessoas numa aldeia do centro da Sérvia.

Nos últimos dois dias, o país, ainda de luto pelo massacre na escola, vive a notícia de um segundo ataque.  

A pais balcânico tem o maior nível de posse civil de armas na Europa e o quinto maior do mundo.

Em 2019, estimou-se que havia 39,1 armas de fogo para cada 100 pessoas na Sérvia – a terceira maior do mundo, atrás dos EUA e Montenegro.
 


À CNN, o Ministério do Interior disse que está a tratar este incidente como um ato de terrorismo doméstico. O próprio ministro sérvio do Interior, Bratislav Gasic, classificou este último ataque como "um ato terrorista".

c/ agências
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