OLÍMPICOS - CRÓNICA DE BASTIDORES "A mala ou detestá-la!"

por João Pedro Silva - RTP
RTP

Recuo no calendário. Passaram dois meses. Talvez três. Ainda me lembro da última vez que olhei para o vazio na zona de desembarque do aeroporto. Daquele aeroporto, em Belgrado.

Nos famosos tapetes que nos trazem as malas de viagem surgiam muitas. E passavam por nós tantas e tantas e, pasme se, nenhuma “falava” português.

Olhamos. Eu e o repórter de imagem José Pinto Dias. E voltamos a olhar para lá. E, com encolher de ombros mas podres de raiva, lá desistimos, sem antes preencher aquela papelada toda que mais parece saída de uma repartição de finanças.

Objetivo: recuperar o que não se viu aterrar.

É como se o armário lá de casa tivesse sido assaltado durante a noite e tivéssemos ficado com a roupa do corpo. Até comprarmos alguma. Ou que alguém nos devolvesse o adquirido “roubado” de forma ilegítima.

Aceleramos o calendário até 17 de julho de 2021.

Lisboa. 5 da manhã.

A rádio avisa : “Os funcionários da GroundForce cumprem hoje greve, a ameaça de paralisação pode durar mais alguns dias”.

Aqueles senhores que nos levam as ditas bagagens para o interior dos aviões não iam estar presentes na minha “despedida”, nossa.

Tínhamos quase 6 mil quilómetros de distância a percorrer. Umas 11 horas nas nuvens.

Eu e o Paulo Maio Gomes, sempre equipado a preceito para estas deslocações, sejam curtas ou longas, lá fizemos o dito check in. As bagagens, essas, pelos vistos, tinham seguido o rumo do desconhecido na escuridão de um armazém.

Já na zona de embarque uma mensagem num dos múltiplos grupos de WhatsApp de alguém que ia no mesmo voo: “O avião vai cheio de gente mas vazio no porão, boa viagem”.

Rebobinei o filme da Sérvia. Entrei no do Japão. Verdade. Houve novo “assalto” ao armário lá de casa.

Múltiplos quilómetros depois e após uma maratona de preenchimento de papéis e aplicações e testes e já em Tóquio, surgiu a confirmação: as nossas “queridas” bagagens dormem um sono profundo na Portela.

A mala ou detestá-la?!

E assim, já em terras nipónicas, usamos do nosso traje comprado na seven eleven (loja de conveniência) ao lado do hotel: uma termotebe de manga curta branca.

Eu e o Paulo gostamos tanto que compramos mais duas!

Já no hotel percebi que mais “olímpicos” de outras paragens (jornalistas) tinham ficado também sem a mala!

Usavam, de forma orgulhosa pelos corredores do hotel Kyobashi, a mesma termotebe do João e do Paulo, de Portugal.

Destinos JP.

Ah, as malas já chegaram, entretanto.
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