ONG alerta para risco de prostituição infantil nas obras do Zambeze

Uma organização humanitária britânica alertou hoje para "os riscos de prostituição infantil e exploração laboral" nas áreas onde vão decorrer as obras de construção da ponte do rio Zambeze, centro do país, financiadas pela União Europeia.

Agência LUSA /

Num comunicado hoje divulgado em Maputo a propósito do início em breve das obras, que serão dirigidas pelo consórcio português Mota Egil/Soares da Costa, a Save the Children mostra-se preocupada com o perigo de "envolvimento das raparigas, algumas com apenas 10 anos, na prostituição nos bairros de lata dos dois lados do rio".

"Os trabalhadores sociais (que se dedicam a acções de protecção de camadas socialmente vulneráveis) estão preocupados com a possibilidade de exploração das crianças em actividades de risco, incluindo o envolvimento das raparigas, algumas com apenas 10 anos, na prostituição nos bairros de lata dos dois lados do rio", diz a nota de imprensa.

Citando o director do Programa da Save the Children UK em Moçambique, Chris Melvor, a organização lembra que "projectos anteriores de criação de infra-estruturas em Caia e Chimuara trouxeram benefícios económicos, mas deixaram atrás destes, um rasto de consequências sociais negativas".

"Num tempo em que o HIV/SIDA regista uma incidência de 20 por cento nas zonas por onde passará a ponte, a afluência de uma enorme massa de homens sem mulher, e com dinheiro para gastar, espalhou a preocupação entre muitos adultos e crianças locais", sublinha a mesma nota de imprensa.

A ponte do rio Zambeze é um dos mais importantes empreendimentos dos últimos anos em Moçambique e a sua construção será crucial para o desenvolvimento do centro e norte do país, uma vez que vai dinamizar o escoamento da produção mineral e agrícola das duas regiões do país.

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