ONG atribui responsabilidade moral a presidente da Chechénia
Os apoiantes de Natalia Estemirova acusam o presidente checheno de responsabilidade moral na morte da activista dos direitos humanos da jornalista russa. Ramzan Kadyrov já condenou publicamente o crime e Dmitri Medvedev, presidente russo, teceu inéditos elogios à activista.
A activista dos direitos humanos e jornalista russa foi ontem encontrada morta, horas após ter sido raptada quando saiu de casa, em Grozni. Natália Estemirova terá sido abatida a tiro.
"Ela dizia abertamente a verdade, às vezes falava das autoridades com dureza. Mas é por isso que apreciamos os defensores dos Direitos do Homem", acrescentou Medvedev, segundo quem este é "um acontecimento triste e uma provocação".
Já o seu antecessor considera "insignificante" a "capacidade de influência" da jornalista russa. O primeiro-ministro Putin, que também participou na visita oficial à Alemanha, entende que a morte de Estemirova "prejudica mais o poder na Rússia e na Chechénia (...) do que os seus textos."
Ramzan Kadyrov, que chegou em 2007 à presidência da Chechénia apoiado pelo Kremlin, descreveu Estemirova como uma "mulher indefesa" e anunciou a abertura de duas investigações, uma oficial e outra oficiosa.
Os assassinos de Estemirova, afirma Kadyrov, citado pela BBC online, "não merecem apoio e devem ser castigados como os mais cruéis criminosos".
Memorial atribui responsabilidades morais a presidente checheno
As organizações de direitos humanos russas ficaram indignadas e não hesitam em apontar responsáveis. "Sei e posso dizer quem a matou em termos morais, quem é culpado pela sua morte. Chama-se Ramzan Kadyrov. O seu título é de Presidente da República da Chechénia. Sei que esse homem detestava Natália Estemirova", disse o responsável pela Memorial em Moscovo.
Para Oleg Orlov os autores morais "são os que não querem que a informação verdadeira saia da Chechénia, aqueles que querem criar uma imagem de que a Chechénia que temos agora é pacífica, estável e está a prosperar".
A organização não governamental Memorial, da qual Estemirova fazia parte, investiga casos de raptos, tortura e execuções sumárias pelas tropas russas e milícias chechenas.
Estemirova, de 50 anos, trabalhou com a jornalista Anna Politkovskaya que foi assassinada há três anos em Moscovo. Em 2007, recebeu o Prémio Politkovskaya e foi distinguida pelos parlamentos europeu e sueco.