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ONG internacionais de médicos alertam para situação sanitária em Gaza

ONG internacionais de médicos alertam para situação sanitária em Gaza

Organizações não-governamentais (ONG) internacionais de médicos alertaram hoje para a situação sanitária na Faixa de Gaza após o cerco total imposto por Israel e pediram um corredor humanitário para apoiar a resposta médica.

Lusa /
Mohammed Saber - EPA

"A situação é catastrófica (...). Não acho que ninguém esteja seguro em Gaza", declarou Sarah Chateau, responsável pelo programa palestiniano dos Médicos Sem Fronteiras (MSF).

A organização não-governamental MSF está no terreno há mais de 20 anos e tem 300 funcionários palestinianos e 20 internacionais.

"Transferimos parte de nossas equipas para um prédio das Nações Unidas. O bombardeamento foi tão maciço que os riscos eram muito grandes", acrescentou.

Na segunda-feira, Israel anunciou a evacuação das áreas fronteiriças e impôs um cerco total à Faixa de Gaza, com o "corte imediato" do fornecimento de água ao enclave palestiniano, após a suspensão do fornecimento de eletricidade e alimentos.

Em resposta, o grupo islamita Hamas ameaça executar os cerca de 150 reféns sequestrados no sábado em Israel, incluindo crianças, mulheres e jovens que participavam num festival de música.

"Com o estado de cerco total, até quando as nossas equipas vão aguentar? Precisamos de um corredor humanitário para apoiar a resposta médica, trazer equipamentos, substituir as equipas no terreno", defendeu Chateau.

A ONG Médicos do Mundo, que tem cerca de 30 funcionários na Cisjordânia e cerca de 20 em Gaza, também alertou que "o transporte de doentes é reduzido com o bloqueio e a intensidade dos bombardeamentos".

"A nossa equipa está a lutar pela sobrevivência, é muito difícil conseguirem realizar o seu trabalho", disse o médico Jean-François Corty, vice-presidente da organização, que lembrou ainda que "80% da população depende da ajuda humanitária".

"É preciso garantir que o Direito internacional humanitário é respeitado, que medicamentos são levados e que os civis são poupados", acrescentou Corty.

Após a ofensiva sem precedentes do movimento islâmico palestiniano Hamas contra Israel, o exército israelita está desde sábado a bombardear a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas desde 2007. Em quatro dias de conflito é estimado que o número de mortos ultrapasse os 2.000, além de mais de 5.000 feridos dos dois lados.

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