ONU adverte para nova e perigosa fase da guerra

ONU adverte para nova e perigosa fase da guerra

A ONU alertou hoje que a guerra na Ucrânia está a entrar numa "nova e perigosa fase da guerra", com a intensificação dos ataques, o aumento das baixas civis e o risco de um alastramento regional crescente.  

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Anatolii Stepanov - Reuters

"As consequências fazem-se sentir muito além do campo de batalha. Não se deixem enganar. Não se trata simplesmente de uma escalada nos combates. Trata-se de uma escalada no sofrimento humano, no risco regional e nos danos causados aos princípios da Carta da ONU e à ordem internacional", disse hoje Rosemary DiCarlo, subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz.

Numa reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU sobre a Ucrânia, convocada pelos membros europeus do órgão e presidida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot, DiCarlo afirmou que o corrente ano tem sido particularmente devastador para os civis.

Só nos primeiros oito meses, foram mortos ou feridos mais civis na Ucrânia do que durante todo o ano de 2025, realçou.

Desde fevereiro de 2022, pelo menos 17.257 civis, incluindo 835 crianças, foram mortos na Ucrânia e outros 53.693 ficaram feridos.

As baixas civis decorrentes de ataques ucranianos dentro da Federação Russa também aumentaram significativamente, com as autoridades russas relatando 443 mortos e 2.932 feridos de janeiro a agosto. 

Contudo, são os incidentes com drones transfronteiriços e atividades militares em torno de instalações nucleares que estão a aumentar os temores de um maior impacto regional do conflito, segundo a ONU.

"A preocupação continua a crescer relativamente às consequências da guerra nos países vizinhos da Ucrânia e ao perigo de uma maior expansão. As incursões transfronteiriças de drones que afetam ou se aproximam do espaço aéreo dos Estados vizinhos tornaram-se cada vez mais frequentes, aumentando as preocupações sobre o perigo de um maior alastramento regional", disse DiCarlo.

Os ataques a passagens fronteiriças e a infraestruturas de transporte e logística junto das fronteiras internacionais agravam estes riscos, acrescentou.

Nas últimas semanas, foram relatados incidentes envolvendo drones nas zonas fronteiriças da Ucrânia com a Moldova e a Polónia, bem como na Lituânia e na Roménia.

"A atividade militar relatada dentro e em redor das instalações nucleares da Ucrânia, bem como das instalações nucleares na Federação Russa, continua também a ser uma séria preocupação. Qualquer incidente que ponha em perigo a segurança de qualquer instalação nuclear pode ter consequências catastróficas", advertiu a representante da ONU.

Com a aproximação do inverno, ataques à infraestrutura energética da Ucrânia podem deixar milhões de pessoas sem aquecimento e eletricidade, alertou DiCarlo, pedindo uma moratória imediata nos ataques contra centros populacionais.

Reafirmando a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, a subsecretária-geral instou à intensificação da diplomacia rumo a um cessar-fogo imediato, completo e incondicional.  

"O envolvimento diplomático deve ser acompanhado por uma desescalada significativa", enfatizou, alertando que, sem isso, os riscos para os civis, para a região e para a paz e segurança internacionais só aumentarão. 

 

PUB