ONU alerta para possibilidade de "limpeza étnica" do povo rohingya na Birmânia

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem, disse esta segunda-feira que a forma como a Birmânia está a tratar a minoria muçulmana rohingya aparenta "um exemplo clássico de limpeza étnica".

RTP /
Refugiado Rohingya a chegar ao Bangladesh Reuters

O Conselho dos Direitos do Homem realiza desde 24 de março “uma missão internacional independente” para investigar os factos que envolvem membros do Exército e a minoria muçulmana dos Rohingyas, mas a Brimânia não autorizou os especialistas a deslocarem-se ao país.

"A Birmânia tem recusado o acesso dos inspetores (da ONU) especializados em direitos humanos. A avaliação atualizada da situação não pode ser integralmente realizada, mas a situação parece ser um exemplo clássico de limpeza étnica", disse Zeid Ra`ad Al Hussein na abertura da 36.ª sessão do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas, em Genebra.

A minoria Rohingyas é tratada como estrangeiros, apesar de muitos viverem no país durante várias gerações.

Mais de um milhão de rohingyas vivem em Rakhine, Birmânia, onde sofrem crescente discriminação desde o início da violência sectária em 2012.
Mais de 120 mil pessoas encontram-se a viver em 67 campos de deslocados.
A violência registou uma escalada desde o ataque, no passado dia 25 de agosto, contra três dezenas de postos da polícia pela rebelião, o Exército de Salvação do Estado Rohingya (Arakan Rohingya Salvation Army, ARSA), que defende os direitos dos rohingya.
Os ataques dos rebeldes contra a polícia desencadearam uma nova repressão por parte do Exército.

“Esta operação é claramente desproporcionada e sem respeito pelos princípios fundamentais do direito internacional”, afirmou o Alto-Comissário.

“Recebemos múltiplos relatos e imagens de satélite mostrando as forças de segurança e as milícias locais nas vilas rohingyas e informações coerentes mostram execuções extra judiciais”, acrescentou.

A ONU estima que mais de um milhar de pessoas, da minoria muçulmana rohingya, podem ter morrido devido à violência no estado de Rakhine, um número duas vezes superior às estimativas birmanesas.

As autoridades da Birmânia, onde mais de 90% da população é budista, não reconhecem cidadania aos rohingya, uma minoria apátrida considerada pelas Nações Unidas como uma das mais perseguidas do planeta.

De acordo com os últimos números das nações Unidas, mais de 300 mil pessoas, a maioria muçulmanos Rohingya, procuraram refúgio no Bangladesh.

O governo do Bangladesh assinalou que, segundo "informações extraoficiais", mais de 3.000 rohingya foram mortos na ofensiva militar no estado de Rakhine, desencadeada após o assalto a postos policiais lançado por um grupo de rebeldes muçulmanos.

“Apelo ao Governo que ponha termo à sua operação militar cruel” e às “discriminações generalizadas” contra os Rohingyas e que investigue “todas as violações”, disse Zeid.
“O Governo deve parar de querer que se pense que os Rohingyas lançam fogo às próprias casas, denunciando uma “negação completa da realidade”.

Os rebeldes Rohingyas declararam este domingo um cessar fogo unilateral de um mês, e o governo birmanês respondeu que não negoceia com “terroristas”.
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