ONU apela a intervenção estrangeira para combater violência do Haiti
Só este ano já foram mortas mais de 530 pessoas e sequestradas pelo menos 280 por grupos criminosos no Haiti. O alerta é do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que adverte para a necessidade de uma "força especializada" para "ajudar com urgência" as autoridades locais a enfrentar a onda de violência que o país vive.
“Estamos seriamente preocupados com o facto de a violência extrema continuar fora de controlo no Haiti”, adiantou Marta Hurtado em comunicado.
#Haiti: We are gravely concerned by extreme violence spiralling out of control as clashes between gangs continue in attempts to expand territorial rule. We urge authorities to immediately address grave security situation & call for international support: https://t.co/GE0eUWYVs9 pic.twitter.com/8Bb4IqXo6l
— UN Human Rights (@UNHumanRights) March 21, 2023
Desde o início de janeiro até meados de março, um total de 531 pessoas foram mortas, 300 ficaram feridas e 277 foram raptadas em incidentes relacionados com o crime organizado, principalmente na capital, Port-au-Prince, de acordo com informações recolhidas pela Unidade de Direitos Humanos da Missão da ONU no Haiti (BINUH).
"Apelamos à comunidade internacional para se empenhar no envio de uma força de emergência especializada (...) com um plano de ação completo e preciso", acrescentou.
"Um quarto dos deslocados vive em assentamentos improvisados, com acesso muito limitado a serviços básicos como água potável e saneamento".
Segundo a responsável da ONU, a instabilidade crónica e a "violência das gangues contribuíram para o aumento dos preços e a insegurança alimentar" e, por isso, metade da população "não tem o suficiente para comer".
Hurtado disse ainda que estudantes e professores são por vezes atingidos por balas perdidas durante confrontos entre grupos rivais de crime organizado, enquanto um número crescente de estudantes, assim como os pais, estão a ser raptados perto das escolas. Como consequência, muitos estabelecimentos de ensino estão a ser encerrados.
Para quebrar este ciclo de violência, corrupção e impunidade, "todos os responsáveis, incluindo aqueles que fornecem apoio e financiamento às gangues, devem ser processados e julgados de acordo com o estado de Direito".
A ONU também pediu à comunidade internacional que "considere urgentemente o envio de uma força de apoio especializada com prazo determinado em condições que estejam em conformidade com as leis e normas internacionais de Direitos Humanos, com um plano de ação abrangente e preciso".