ONU apela à união face a ameaças à cooperação internacional
O secretário executivo da ONU para o Clima, Simon Stiell, apelou hoje à união face à "ameaça sem precedentes" à cooperação internacional por parte dos que usam o poder para "desafiar a lógica económica e científica".
"A COP31 em Antália (Turquia) decorrerá num contexto extraordinário. Encontramo-nos numa nova ordem mundial", alertou Simon Stiell durante um discurso na Turquia, país que acolherá a próxima cimeira mundial sobre o clima, de 9 a 20 de novembro, na qual a Austrália liderará as negociações.
Embora afirmando que "é difícil imaginar uma década em que a cooperação internacional em matéria climática tenha permitido obter mais progressos concretos", Stiell considerou que "também enfrenta uma ameaça sem precedentes".
Essa ameaça vem "daqueles que estão determinados a usar o seu poder para desafiar a lógica económica e científica e aumentar a dependência do carvão, do petróleo e do gás poluentes", continuou, sem nomear nenhum país em particular, durante o discurso em Istambul na presença do ministro do Ambiente turco, Murat Kurum, e do presidente da COP30, André Correa do Lago.
O chefe da ONU Clima também mencionou "a força das armas" e as "guerras comerciais" que geraram "uma nova desordem mundial", num período em que a administração americana multiplica os ataques contra as políticas ambientais e o multilateralismo.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, que desde o regresso ao poder recuou em matéria ambiental, deve revogar hoje o texto que serve de base à luta contra as emissões de gases com efeito de estufa nos Estados Unidos, depois de ter saído do Acordo de Paris sobre o clima logo após assumir o cargo.
Esta reviravolta, contra a qual se insurgem cientistas e defensores do ambiente, deverá ser acompanhada pela supressão das normas de emissões de gases com efeito de estufa para veículos.
Donald Trump qualifica o aquecimento global como "a maior fraude" da história e elogia o carvão "limpo e magnífico", bem como o petróleo.
Quando Washington se retirou, em janeiro, da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), um tratado de referência sobre o clima, Simon Stiell já tinha referido que se tratava de um tiro no pé por parte dos Estados Unidos.
"Os países podem unir-se", disse hoje Simon Stiell, apelando ao reforço da colaboração "com empresas, investidores e líderes regionais e cívicos", e ao desenvolvimento de "coligações de [países] voluntários", à semelhança das iniciativas tomadas durante a COP30 no Brasil.
Numa época de profundas perturbações geopolíticas mundiais, considerou que "segurança é a palavra que mais se ouve na boca dos líderes" mas que muitos se agarram "a uma definição perigosamente restritiva".
"Para qualquer líder que leve a segurança a sério, a ação climática é uma missão essencial, pois os efeitos do clima causam estragos em todas as populações e economias", alertou.