ONU continuará a mediar litígio entre a Venezuela e Guiana por Essequibo

por Lusa

Caracas, 01 set (Lusa) -- A Venezuela e a Guiana decidiram manter a ONU como mediadora do litígio de mais de 50 anos entre ambos países pelo território Essequibo, anunciou hoje o Presidente Nicolás Maduro na sua primeira visita àquele país vizinho.

"Ratificamos o mecanismo de mediação das Nações Unidas sobretudo pelo trabalho feito pelo professor Norman Girvan para continuar a avaliar o tema através do direito internacional", disse Nicolás Maduro numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo guianês, Donald Ramotar.

O Essequibo ou Guiana Esequiba é um território com 159.500 quilómetros quadrados administrado pela Guiana, mas que as autoridades da Venezuela reclamam internacionalmente como parte do seu país.

Caracas sustenta a sua posição no Acordo de Genebra de 17 de fevereiro de 1966, que tinha como propósito resolver uma disputa entre a Venezuela, a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte sobre a fronteira entre a Venezuela e a Guiana Britânica, tendo a ONU designado, em 2010, o diplomata jamaicano Norman Girman como enviado especial para mediar na resolução do litígio.

Segundo Nicolás Maduro as negociações "decorrem bem", pela via diplomata e ambos países decidiram reforçar a cooperação bilateral com a assinatura de novos acordos em matéria energética, económica, cultural, social, diplomática e política.

Donald Ramotar destacou, por sua vez, que a visita permitiria aprofundar as relações bilaterais, "porque a vontade política é evidente".

Impulsadas pelo falecido presidente Hugo Chávez, as boas relações entre ambos países registaram nos últimos anos vários vicissitudes, sobretudo relacionados com decisões do governo guianês em atribuir concessões a empresas para explorações petrolíferas, apesar da oposição venezuelana.

A oposição venezuelana reclama que o governo tenha "mão dura" neste diferendo e acusa Nicolás Maduro de estar a ceder perante a Guiana.

Leopoldo López, coordenador do partido opositor Vontade Popular, acusou sábado Nicolás Maduro de estar a vender a pátria e a oferecer os interesses venezuelanos a outro país.

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