ONU coordena mais de 2.000 socorristas de 27 países na busca por sobreviventes

ONU coordena mais de 2.000 socorristas de 27 países na busca por sobreviventes

As Nações Unidas afirmaram hoje que está a coordenar mais de 2.000 socorristas enviados por 27 países para procurar sobreviventes sob os escombros, na sequência do duplo sismo que afetou a Venezuela na semana passada.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Miguel Medina/pool via Reuters

A ONU assumiu a coordenação da operação, em colaboração com o Governo da Presidente interina, Delcy Rodríguez, depois de, na passada quarta-feira, a Venezuela ter sido atingida por dois sismos consecutivos, de magnitude 7,2 e 7,5, na escala de Richter que já provocaram pelo menos 1.719 mortos e mais de 5.034 feridos, segundo o balanço mais recente das autoridades.

Na conferência de imprensa, o coordenador humanitário das Nações Unidas para a Venezuela, Gianluca Rampolla, informou que 27 países enviaram mais de 40 equipas de busca e salvamento, o que representa mais de 2.000 socorristas e pessoal no terreno, juntamente com 160 cães.

Rampolla adiantou que a busca e o resgate constituem o principal objetivo da "operação em grande escala" que estão a levar a cabo, apesar de já terem decorrido as primeiras 72 horas.

"Estamos a coordenar esforços para prestar assistência médica de emergência, abrigo, ajuda alimentar, água e saneamento, apoio logístico e para garantir não só o armazenamento, mas também a distribuição de todos os mantimentos que estão a chegar ao país", afirmou.

Rampolla defendeu a colaboração com o Governo venezuelano para garantir "a melhor utilização possível e o máximo impacto dos recursos" que estão a ser fornecidos.

Entre outros pontos, destacou "a estreita colaboração" com as equipas de resgate norte-americanas, após ter sido questionado pelos jornalistas sobre se existem diferenças nas equipas no terreno desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou o encerramento da USAID, a agência norte-americana para o Desenvolvimento Internacional.

"Na verdade, os Estados Unidos foram o primeiro governo a anunciar a disponibilização de fundos para responder à emergência", sublinhou Rampolla, descartando qualquer alteração a este respeito.

Rampolla afirmou também que a ONU vai fornecer 10 mil sacos mortuários para a Venezuela, esperando, no entanto que o balanço final das vítimas de um duplo sismo na semana passada no país seja inferior a esse número.

"Não vou começar a especular sobre números [de desaparecidos] que o Governo não anunciou oficialmente", observou Rampolla quando questionado sobre o número de desaparecidos.

Com 2.500 edifícios afetados, "a maioria dos quais totalmente destruídos", "posso dar um indicador: estamos a fornecer 10.000 sacos mortuários, foi isso que decidimos em conjunto com as autoridades", afirmou Tindaro.

"É muito triste, e esperamos sinceramente que o número seja inferior a isso", acrescentou.

Por outro lado, elogiou a rápida mobilização internacional e a solidariedade das populações locais.

As Nações Unidas estimam o número de desaparecidos em cerca de 50.000.

Entre os mortos, há pelo menos 56 portugueses e lusodescendentes, e outros 91 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.

 

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