ONU denuncia detenção de dois funcionários pelos talibãs no Afeganistão
Dois funcionários afegãos da ONU foram detidos no oeste do Afeganistão pelos serviços de informações talibãs, sem que tenha sido divulgada qualquer acusação, revelou a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA).
"Dois funcionários afegãos da UNAMA estão detidos por agentes da Direção-Geral de Informações, desde domingo, 09 de agosto, em Herat", referiu na terça-feira a missão da ONU à agência France-Presse (AFP).
"A UNAMA não foi informada das acusações contra eles, nem foi autorizada a vê-los", acrescentou.
O governo talibã, contactado pela AFP, não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
As detenções ocorrem poucos dias antes do quinto aniversário do regresso dos talibãs ao poder, após a tomada de Cabul em 15 de agosto de 2021 e a fuga do ex-presidente afegão, apoiado dos Estados Unidos e de uma coligação ocidental.
Desde então, as Nações Unidas mantêm a sua presença no Afeganistão, realizando missões humanitárias e de monitorização dos direitos humanos através das suas diversas agências.
Esta semana, a UNAMA publicou um relatório apelando às autoridades para que "esclareçam as regras que regem o uso da força, as prisões e as detenções" pelas forças de segurança, e que melhorem os "procedimentos de supervisão" destas agências em casos de abuso.
As autoridades talibãs, no poder desde agosto de 2021, governam segundo uma interpretação extremista da religião islâmica, excluindo as mulheres de muitos setores de atividade, bem como do ensino secundário e universitário.
As mulheres afegãs, por exemplo, não têm permissão para entrar nas instalações da ONU, mesmo que sejam funcionárias da organização.
Desde o início de junho, a situação tornou-se particularmente tensa em Herat, onde foram detidas pela polícia da moralidade várias dezenas de mulheres acusadas de não usarem o chador ou a burca, peças de vestuário que cobrem todo o corpo.
Entre as detidas estava uma profissional de saúde da organização não-governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF), que condenou veementemente a sua detenção.
Em 09 de junho, uma rara manifestação contra estas prisões foi violentamente reprimida em Herat, resultando na morte de pelo menos duas pessoas, segundo a ONU.
Também em junho, trabalhadores humanitários afegãos ligados à ONU foram detidos na província de Herat por não terem barbas suficientemente fartas, segundo os regulamentos impostos pelas autoridades talibãs, tendo sido posteriormente libertados, indicaram mensagens internas da Organização Internacional para as Migrações (OIM) consultadas pela AFP.