ONU denuncia novos actos de violência contra população civil em Darfur

O Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos denunciou novos actos de violência contra a população civil na região sudanesa de Darfur, afirmando que estes "demonstram a incapacidade do Governo em proteger os civis nas zonas de conflito".

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Entre as denúncias figuram casos de sequestro, espancamentos e violações de mulheres e crianças EPA/arquivo

Segundo o organismo das Nações Unidas (ONU), os constantes ataques verificados, desde o início do ano, contra os habitantes de uma localidade no oeste de Darfur (Sudão), têm-se intensificado nas últimas três semanas e são realizados por "homens armados e vestidos com uniformes militares".

Entre as denúncias figuram casos de sequestro, espancamentos e violações de mulheres e crianças, apesar de não se terem registado assassinatos, explicou o porta-voz do Alto-Comissariado, José Diaz.

"Existe a preocupação de que esta situação seja representativa da incapacidade ou falta de vontade das autoridades sudanesas de cumprir a sua promessa de proteger a população civil", afirmou o responsável.

Diaz explicou que os novos actos de violência ocorreram numa localidade de 4.500 habitantes, situada a 30 quilómetros de El Geneina, capital do Darfur oeste, para onde no passado mês de Janeiro o Governo de Jartum tinha destacado um força de segurança, que depois foi retirada.

"O Alto-Comissariado pede ao Sudão que actue imediatamente e que restabeleça a presença policial nas regiões de conflito para garantir a protecção efectiva dos civis", frisou

Darfur, uma região do tamanho da França, vive um cenário de conflito armado desde o início de 2003, estimando-se que até agora já tenha causado mais de 200 mil mortos, cerca de 200 mil refugiados e 2,5 milhões de deslocados internos.
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