ONU insiste. "Muitas mais pessoas morrerão em breve" devido ao cerco à Faixa de Gaza

Numa conferência de imprensa, esta sexta-feira em Jerusalém, o diretor da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), Philippe Lazzarini, alertou para as consequências do cerco total imposto por Israel ao enclave palestiniano e apelou à entrega "significativa e contínua" de ajuda humanitária.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
"Não podemos continuar a fechar os olhos a esta tragédia humana" afirmou Philippe Lazzarini, diretor da UNRWA, numa conferência de imprensa, a 27 de outubro Mohammed Salem - Reuters

"Neste preciso momento, as pessoas em Gaza estão a morrer, não apenas devido às bombas e aos ataques, mas muitas mais morrerão em breve devido ao cerco imposto" ao território palestiniano desde 9 de outubro, afirmou Philippe Lazzarini. "Os serviços básicos estão a entrar em colapso, as reservas de medicamentos, alimentos e água estão a esgotar-se e os esgotos começam a transbordar para as ruas de Gaza", descreveu.

Apesar dos comboios humanitários que começaram a entrar na região da Faixa de Gaza desde 21 de outubro, a ajuda está longe de ser suficiente para satisfazer as necessidades da população que está a ser "estrangulada" e sente-se "evitada, alienada e abandonada", explicou o diretor da agência da ONU para os refugiados palestinianos.
"Sistema em vigor está condenado ao fracasso"
“Muitos de nós viram nesses camiões [de ajuda humanitária] um vislumbre de esperança”
, mas está a “tornar-se uma distração" porque "não são mais do que migalhas que não farão a diferença para dois milhões de pessoas”, disse o chefe da agência humanitária."O que preciamos é de uma ajuda significativa e contínua, e precisamos de um cessar-fogo humanitário para que essa ajuda possa chegar a quem precisa", exigiu Philippe Lazzarini.

O dirigente apelou a uma resposta internacional e advertiu que o seu adiamento só estaria a contribuir para “aprofundar a polarização na região e a aumentar o risco de repercussões regionais".

O Ministério da Saúde de Gaza, gerido pelo Hamas, anunciou na quinta-feira a morte de mais de sete mil palestinianos, incluindo cerca de 2.900 crianças, desde o início dos ataques israelitas contra Gaza, na sequência do ataque surpresa do Hamas em solo israelita, a 7 de outubro.
Nas últimas semanas a UNRWA, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestiniano, e as restantes agências da ONU no terreno perderam mais de 50 dos seus funcionários, relembrou também durante a conferência de imprensa.

c/ agências
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