ONU insta talibãs a respeitar liberdades fundamentais das mulheres
O Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH) instou hoje os talibãs a pôr fim às práticas que restringem as liberdades fundamentais das mulheres e das raparigas, considerando que a discriminação institucionalizada no Afeganistão deve chocar a humanidade.
O CDH, organismo da ONU responsável pela proteção dos direitos humanos e composto por 47 Estados-membros, adotou, por unanimidade, uma resolução apresentada por 37 países europeus, Canadá e Chile.
Salientando que a situação dos direitos humanos no Afeganistão está a deteriorar-se, o conselho manifestou profunda preocupação com a "opressão grave, crescente, generalizada e sistemática de todas as mulheres e raparigas no Afeganistão por parte dos talibãs".
Os talibãs regressaram ao poder no Afeganistão em 2021 e impuseram uma versão rigorosa da lei islâmica.
As mulheres são particularmente afetadas pelo regime. Estão proibidas de frequentar locais públicos, incluindo parques, e da maioria dos empregos, enquanto as raparigas estão proibidas de frequentar a escola após os 12 anos de idade.
Por estas razões, este órgão da ONU instou os talibãs a revogar "todas as políticas e práticas que restringem o gozo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais por parte das mulheres e raparigas", incluindo os direitos à liberdade de reunião pacífica, à educação, ao trabalho e ao voto.
E instou ainda a comunidade internacional a intensificar o seu envolvimento "com todas as partes interessadas no Afeganistão" em relação aos direitos humanos e às liberdades fundamentais de todos os afegãos.
O Conselho dos Direitos Humanos reafirmou ainda que o casamento infantil, o casamento forçado e a escravatura sexual de rapazes constituem violações dos direitos humanos.