ONU nomeia novo chefe da missão na República Centro-Africana após denúncia de abusos

Nova Iorque, 14 ago (Lusa) -- O secretário-geral das Nações Unidas nomeou Parfait Onanga-Anyanga para chefiar a missão da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA), após a demissão do anterior líder na sequência de alegações de abuso sexual por capacetes azuis, informaram diplomatas.

Lusa /

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reuniu na quinta-feira em videoconferência com os enviados especiais de 16 missões da ONU e afirmou que eles eram "diretamente responsáveis pela manutenção da boa conduta e disciplina nas suas missões", disse o seu porta-voz Stéphane Dujarric.

Ban Ki-moon salientou que uma política de tolerância zero vai ser aplicada à má-conduta de capacetes azuis depois de denúncias de abusos realizados na República Centro-Africana.

"A política de tolerância zero aplica-se a todo o sistema das Nações Unidas", disse Dujarric.

"Ele sublinhou que a tolerância zero significa zero impunidade, e que quando as alegações são sustentadas, todo o pessoal, sejam militares, polícias ou civis, devem prestar contas à justiça", acrescentou.

O líder da missão de paz das Nações Unidas na República Centro-Africana, Babacar Gaye, do Senegal, demitiu-se depois de a Amnistia Internacional ter alegado que capacetes azuis da ONU mataram, a tiro, um homem e o seu filho de 16 anos, e violaram uma menina de 12 anos na República Centro-Africana.

O diplomata senegalês Babacar Gaye "pediu a sua demissão a meu pedido", anunciou Ban Ki-moon, na quarta-feira, em conferência de imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque.

Uma investigação foi aberta sobre a acusação de violação da menina e dos dois homicídios supostamente cometidos durante uma operação na capital da República Centro- Africana no início de agosto.

Os alegados crimes tiveram lugar entre 02 e 03 de agosto, durante uma operação para deter um antigo líder rebelde na capital do país, Bangui, numa zona controlada por milícias muçulmanas.

A operação deixou cinco mortos no total, incluindo um `capacete azul` dos Camarões.

Babacar Gaye, de 64 anos, era o chefe da MINUSCA e o enviado especial da ONU na República Centro-Africana desde julho de 2014, quando a missão foi mobilizada.

No início de junho deste ano, Babacar Gaye tinha ordenado a abertura de um inquérito a outro caso de agressão sexual a uma criança que envolvia um capacete azul.

O novo chefe da MINUSCA, Onanga-Anyanga, do Gabão, foi recentemente enviado especial da ONU para o Burundi.

A República Centro-Africana luta para recuperar da violência sectária que alastrou pelo país após um golpe de estado em 2013.

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