ONU. Número de pessoas a passar fome aumentou desde 2019

As Nações Unidas anunciaram esta quarta-feira que o número de pessoas que passam fome aumentou desde 2019. Contam-se mais de 122 milhões de pessoas aos 735 milhões que já existiam antes da pandemia de covid-19. A guerra na Ucrânia também teve um efeito negativo nestes números.

RTP /
Número de pessoas com fome no mundo aumentou Reuters

De acordo com o relatório divulgado pelas Nações Unidas, caso a tendência de crescimento se mantenha, existirão perto de 600 milhões de pessoas que estarão numa situação de subnutrição crónica em 2030, cerca de mais 119 milhões caso não tivesse havido pandemia nem invasão russa na Ucrânia.

Apesar de os números totais terem estabilizado, especialmente desde 2021, a fome em locais como o oeste da Ásia, Caraíbas e África está a aumentar, de acordo com o relatório da FAO.

“A recuperação da pandemia global tem sido desequilibrada e a guerra na Ucrânia tem afetado muitas dietas. Este é o 'novo normal' em que as mudanças climáticas, conflitos e instabilidade económica estão levar aqueles que se encontram à margem para situações ainda maiores de insegurança”, afirmou Qu Dongyu, diretora da FAO.

A invasão russa da Ucrânia tem sido problemática, já que a Ucrânia é um dos maiores produtores de cereais do mundo. Os preços aumentaram desde 2022 e os efeitos da guerra ainda se fazem sentir em países de menores rendimentos.

O relatório anual das Nações Unidas de 2023 mostra dados preocupantes sobre urgência alimentar. Estima-se que no ano anterior, pelo menos 900 milhões de pessoas (11 por cento da população mundial) estavam numa situação de insegurança alimentar severa, o que equivale a uma pessoa não ter comida ou passar um dia inteiro sem comer.

Quase uma pessoa em cada três, ou seja, perto de 30 por cento da população, não teve acesso constante a comida durante 2022. Cerca de 45 milhões de crianças com menos de cinco anos estão subnutridas de forma severa.

O diretor económico da FAO e principal autor do relatório alertou que apesar de as alterações climáticas não terem afetado os níveis de fome em 2022 como a guerra e a pandemia, os seus efeitos vão ser sentidos com o tempo. Maximo Torero explicou que o sistema global de alimentação está cheio de “riscos e incertezas” e lembrou que um choque climático poderá levar a um novo aumento dos preços dos cereais.

É imperdoável que governos vejam milhares de milhões de pessoas a passarem fome num mundo com tanto. Enquanto as empresas de comida e energia mais que duplicaram os seus lucros no último ano, quase um terço da população mundial passava por situações de insegurança alimentar moderada ou severa”, acrescentou Pauline Chetcuti da Oxfam.
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