ONU prepara assistência a 500 mil pessoas
A ONU espera auxiliar meio milhão de pessoas em abrigos montados após os sismos que atingiram a Venezuela na semana passada, segundo uma estimativa hoje apresentada pelo Programa Alimentar Mundial (PAM).
A diretora do PAM na Venezuela, Stephanie Hochstetter, falou aos jornalistas por videoconferência na sede da ONU a partir de La Guaira, um dos estados mais atingidos pelos dois sismos que abalaram o país na passada quarta-feira, provocando pelo menos 1.943 mortos, segundo o último balanço das autoridades.
A diretora do escritório do PAM na Venezuela relatou que foram distribuídos pacotes de alimentos de emergência a 1.200 pessoas, mas espera que este número aumente nas próximas semanas.
Nesse sentido, foi lançado um apelo inicial para reunir 50 milhões de dólares (43,7 milhões de euros), embora tenha acrescentado que o valor "não cobrirá toda a tragédia", uma vez que a necessidade de alimentos, água potável, abrigo e serviços básicos "é imediata e crítica".
Hochstetter indicou que, além de refeições prontas a consumir, o PAM está a fornecer alimentos para cozinhar em agregados familiares onde é possível, mas cujo acesso ao abastecimento é difícil.
A agência da ONU tem 3.000 toneladas de alimentos disponíveis para distribuição no país, que se espera que abasteçam mais de 10.000 famílias durante dois meses.
Ainda assim, estão a ser feitas compras locais, aproveitando a disponibilidade de alimentos no país e em coordenação com a equipa na Colômbia, onde existem `stocks` que podem ser redistribuídos rapidamente.
"Os sismos afetaram muitas famílias, algumas das quais já com dificuldades em comprar alimentos básicos, e agora, com os seus meios de subsistência destruídos e as infraestruturas gravemente danificadas, enfrentam o risco real de cair numa situação ainda mais difícil", alertou.
A responsável do PAM referiu-se em concreto às comunidades mais remotas, onde as consequências dos terramotos podem ser agravadas pela falta de assistência.
Segundo Hochstetter, a missão do PAM em La Guaira foi solicitada pelo Governo da Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com a qual destacou a plena cooperação.
No início de 2026, 7,9 milhões de pessoas na Venezuela já necessitavam de ajuda humanitária, segundo a ONU.
Os sismos registados na Venezuela causaram pelo menos 1.943 mortos e 5.034 feridos, de acordo com o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 60 portugueses e lusodescendentes, e outros 97 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 600 réplicas.