ONU prolonga mandato da Misnus na Síria

O Conselho de Segurança prolongou por mais 30 dias o mandato da missão dos 300 observadores enviados à Síria, no âmbito do plano de Paz de Koffi Annan para o país. O voto foi unanime, apesar da ameaça de bloqueio por parte da Rússia. A resolução visa somente, segundo os diplomatas, dar tempo aos observadores de preparar a retirada.

Graça Andrade Ramos, RTP /
O Conselho de Segurança prolongou por 30 dias o mandato dos observadores da ONU na Síria Justin Lane/EPA

A resolução foi apresentada pela França, Alemanha, Reino Unido e Portugal e tinha de ser votada hoje, já que o mandato da Missão de supervisão da ONU na Síria (misnus) terminava à meia-noite.

O texto refere que, após este novo período, a missão só poderá ser renovada se Damasco mantiver a promessa de retirar as armas pesadas das cidades e se se registar uma "redução do nível de violência suficiente para permitir à Misnus cumprir o seu mandato", de fazer cumprir os seis pontos do plano de paz proposto por Annan.
Damasco "deserta"
No terreno, os combates intensificam-se em todo o país e nas últimas 48 horas um total de 30.000 sírios atravessaram a fronteira para o Líbano, segundo a ACNUR, havendo registo de um aumento de refugiados também na Turquia, no Iraque e na Jordânia.O paradeiro do Presidente Bashar al-Assad é incerto e esta sexta-feira de manhã, circularam notícias de que ele estaria disposto a abandonar o poder "de forma civilizada". A origem da informação foi o embaixador russo em Paris que depois afirmou que as suas palavras haviam sido "tiradas do contexto".
Alexandre Orlov comentava à Radio France Internationale (RFI), que um comunicado final do grupo de ação para a Síria, redigido em Genebra a 30 de junho e que propunha a transição para um regime mais democrático, tinha sido aceite por Assad. "Ou seja, ele aceita partir. Mas de uma forma civilizada", considerou o diplomata.


A noite passada um grupo de mais de 700 pessoas passou para a Turquia, incluindo mais um general (o 22.º a refugiar-se no país) e 20 oficiais, entre os quais quatro coronéis.

Há notícias de que, em Damasco, os bancos já não têm liquidez e de que várias zonas estão sem eletricidade, entre temperaturas acima dos 40.º Celsius.

Os residentes dizem que as lojas estão fechadas e as ruas vazias, praticamente sem tráfego automóvel ou pedestre e que muitos postos de controlo no centro da cidade estão agora desertos.

Tanto os combatentes leais ao regime como os rebeldes dizem que a luta por Damasco é a "batalha final" e ambos reclamam vitórias.

Combates por Damasco
Os rebeldes afirmam ter incendiado o quartel das milícias governamentais shabbiha, em Damasco. "O quartel de Saiqa (relâmpago) está a arder. Cerca de 80 Shabbiha e soldados que o defendiam, recuaram", afirmou ao telefone um residente próximo do local. Os combates prosseguem pelo controlo da capital e pelo menos três pessoas morreram sob o fogo de helicópteros.

Os confrontos mais sérios decorreram durante a noite no bairro de Mezzeh e a televisão síria garante que as tropas leais ao regime limparam o bairro de Midan de "mercenários e de terroristas". Um comandante rebelde afirma que houve apenas um "recuo tático" devido aos pesados bombardeamentos.

As forças governamentais sírias estão a combater também para recuperar o controlo de vários postos fronteiriços capturados esta semana pelos rebeldes. Estes compõem-se de desertores (auto-denominado Exército Síria Livre), Jihadistas, membros da Irmandade Muçulmana e liberais sunitas sírios.
Chefe dos Serviços de Informação morreu
A crise agudizou-se esta semana com um ataque à bomba em Damasco que decapitou as operações militares e de segurança do governo sírio. Morreram o ministro da Defesa, o cunhado do Presidente Bashar e um general veterano.

As cerimónias fúnebres dos três realizaram-se hoje, transmitidas pela televisão oficial síria. As imagens não mostraram o Presidente sírios mas a televisão al-Manar, próxima do grupo libanês Hezbollah, aliado de Bashar, afirmou que o irmão mais novo deste, Maher, assistiu ao funeral. As fotografias oficiais não o incluem.

O próprio Bashar al-Assad só apareceu uma vez na televisão desde o atentado de terça-feira, quando empossou o novo ministro da defesa, ontem. O chefe dos serviços de informação, Hisham Bekhtyar, atingido também ferido no ataque, morreu esta sexta-feira devido aos ferimentos, anunciou ainda o governo.
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