Mundo
ONU quer inquérito à morte de Kadhafi
Muammar Kadhafi morreu, mas a sua sombra continua a pairar sobre as novas autoridades líbias. O Conselho Nacional de Transição disse que ainda não foi tomada nenhuma decisão quanto à data e ao local do funeral do líder deposto, nem se o seu cadáver vai permanecer em Misrata, para onde foi transportado depois de ter sido mortalmente atingido. O alto-comissariado da ONU pediu hoje que seja instaurado um inquérito às circunstâncias em que Kadhafi foi morto, depois de ter sido capturado, com vida, pelas forças rebeldes.
“As circunstâncias ainda não são claras. Pensamos que é necessário um inquérito” disse o porta-voz do alto-comissariado, Rupert Colville, referindo-se aos vídeos “muito perturbadores” que estão em circulação e mostram um Kadhafi ferido mas vivo nas mãos de uma multidão de rebeldes.
“Há dois vídeos em circulação, um deles mostra-o vivo e o outro mostra-o morto e há quatro ou cinco versões diferentes acerca do que aconteceu entre esses dois vídeos, captados por telemóvel. Como é evidente isso causa-nos gravíssimas preocupações”, afirmou.
Painel da ONU pode investigar morte de Kadhafi
“É um princípio fundamental da lei internacional que as pessoas acusadas de crimes graves devem ser, se possível, julgadas”, disse o porta-voz da Alta-Comissária Navi Pillay.
“Na guerra as pessoas morrem e isso é claramente reconhecido na lei internacional (…) por outro lado, as execuções sumárias, mortes extra-judiciais são estritamente ilegais. É diferente se alguém for morto em combate” afirmou.
Uma comissão internacional de inquérito lançada pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas já está neste momento a investigar os casos de mortes e de torturas ocorridas durante o conflito líbio, e Rupert Colville disse esperar que esse mesmo painel investigue a morte de Kadhafi.
Hugo Chavez: "Assassinaram-no!"
Também a Amnistia Internacional apelou a “um inquérito completo e imparcial“ às circunstâncias em que morreu o ex-líder líbio.
Menos diplomático, o presidente venezuelano Hugo Chavez, aliado e amigo do coronel classificou a morte como “deplorável”.
“Assassinaram-no” disse Chavez aos jornalistas.
CNT ainda não decidiu destino do corpo
O cadáver de Kadhafi encontra-se atualmente numa câmara frigorífica em Misrata, para onde foi transportado e segundo alguns relatos o Conselho Nacional de Transição ainda não se pôs de acordo quanto ao destino a dar-lhe.
Depois de ontem à noite ter sido dito, numa conferência de imprensa do CNT, que Kadhafi seria submetido a uma autópsia e sepultado num local secreto, para evitar que o seu túmulo se transformasse num local de peregrinação, o ministro da informação do Conselho Nacional de Transição veio esta manhã desmentir essa versão.
“Nenhuma decisão foi tomada até agora sobre o funeral”, disse Mahmoud Chamam.
Funeral adiado
Embora as novas autoridades tenham garantido que o antigo líder será sepultado de acordo com a lei islâmica, que estabelece que as cerimónias fúnebres devem ter lugar o mais depressa possível, parece agora possível que o funeral seja demorado alguns dias.
O ministro do petróleo Ali Tarhouni admitiu por seu lado que o corpo de Kadhafi pode ser conservado durante algum tempo.
“Disse-lhes para guardarem [o corpo] numa câmara frigorífica durante alguns dias… para garantir que todos saibam que ele está morto”, disse Tarhouni, que confirmou também não haver uma decisão sobre a data do enterro.
Outros responsáveis garantem que a demora nas exéquias se deve à necessidade de encontrar um local seguro e também se destina a permitir que haja uma investigação às circunstâncias da morte.
“Alguém independente virá de fora da Líbia para examinar a documentação”, relativa à morte de Kadhafi, disse um dos altos-responsáveis do CNT, Mohamed Sayieh.
Versões contraditórias
As dúvidas sobre a maneira como morreu o líder deposto prendem-se com as várias versões contraditórias e também com os vídeos de telemóvel captados na ocasião.
Um deles mostra Kadhafi, nas mãos dos combatentes do CNT, vivo, embora sangrando do lado esquerdo da cabeça. Alguns dos rebeldes disparam tiros para o ar em celebração e outros esmurram Kadhafi e puxam-lhe os cabelos. O coronel, aparentemente atordoado, gesticula para os seus inimigos e toca na ferida, mostrando depois a mão sangrenta.
"Precisamos dele vivo"
O coronel é colocado num camião e houve-se vozes que dizem “não o matem, precisamos dele vivo”
Não foram divulgados vídeos do momento da morte de Kadhafi e não é claro como é que ele recebeu a ferida mortal. Num primeiro vídeo difundido pela cadeia de TV Al-Jazira, aparece o corpo sem vida do ex-líder estendido no chão. Segundo um correspondente da Reuters era visível um buraco de bala num dos lados da cabeça. Algumas das imagens sugerem que o cadáver foi arrastado pelas ruas.
A maioria das fontes concorda em que Kadhafi viajava num comboio de dezenas de veículos, fortemente armados, que tentou fugir da cidade situada. Ataques realizados por aviões franceses da NATO e, possivelmente, por um avião não-tripulado dos EUA atingiram alguns dos automóveis, obrigando o coronel e alguns guarda-costas a fugir a pé e a procurar refúgio numa canalização de esgoto, onde foram localizados pelos rebeldes que perseguiam o comboio.
As muitas mortes do coronel
A partir daí as versões deixam de bater certo. Um dos combatentes do TNC, que exibiu uma pistola dourada apreendida a Kadhafi, diz ter arrastado para fora do cano o coronel que estava ferido nas pernas e que apesar de armado não se defendeu, apelando em vez disso à misericórdia dos seus captores. Outro combatente diz que Kadhafi foi atingido por um tiro de uma arma de nove milímetros no abdómen e outro ainda que apenas teria sido ferido na mão.
A versão oficial do Conselho de Transição, dada pelo primeiro-ministro Mahmoud Jibril, é a de que Kadhafi morreu numa troca de tiros quando alguns dos seus fieis tentaram intercetar o veículo que o levava para o hospital.
“Ele estava vivo até ao último momento. Até chegar ao hospital” de Misrata, disse Jibril, que confessou não estar "preocupado com o destino a dar ao corpo “desde que desapareça.
"Mil mortes não bastariam"
Mohamed Sayieh, o alto-responsável do CNT anteriormente citado, disse numa entrevista à BBC que duvidava que o coronel Kadhafi tivesse sido morto deliberadamente pelos seus captores, mas acrescentou: “Mesmo que ele tenha sido intencionalmente morto, acho que ele merecia isso”.
“Se o matassem mil vezes, eu acho que não seria suficiente para pagar aos líbios aquilo que ele fez. Perdemos mais de 70.000 dos nossos melhores homens por causa deste monstro”.
O ministro da defesa de Kadhafi, Abu Bakr Younus, e Mutassim, um dos filhos do coronel, também foram mortes ontem em Sirte .
O CNT diz que os seus combatentes ainda não conseguiram capturar Saif al-Islam, outro dos filhos de Kadhafi, mas afirma que tal não deverá tardar.
Mulher de Kadhafi diz-se "orgulhosa"
Esta tarde, uma estação de televisão baseada na Síria que apoiava Muammar Kadhafi, noticiou que a mulher do ex-líder líbio tinha pedido às Nações Unidas para investigarem a morte do marido e do filho Mutassim.
A notícia também afirmava que a mulher de Kadhafi estava orgulhosa da coragem do marido e dos filhos que, segundo ela, enfrentaram 40 países e os seus agentes durante seis meses, e que os considerava como sendo mártires.
“Há dois vídeos em circulação, um deles mostra-o vivo e o outro mostra-o morto e há quatro ou cinco versões diferentes acerca do que aconteceu entre esses dois vídeos, captados por telemóvel. Como é evidente isso causa-nos gravíssimas preocupações”, afirmou.
Painel da ONU pode investigar morte de Kadhafi
“É um princípio fundamental da lei internacional que as pessoas acusadas de crimes graves devem ser, se possível, julgadas”, disse o porta-voz da Alta-Comissária Navi Pillay.
“Na guerra as pessoas morrem e isso é claramente reconhecido na lei internacional (…) por outro lado, as execuções sumárias, mortes extra-judiciais são estritamente ilegais. É diferente se alguém for morto em combate” afirmou.
Uma comissão internacional de inquérito lançada pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas já está neste momento a investigar os casos de mortes e de torturas ocorridas durante o conflito líbio, e Rupert Colville disse esperar que esse mesmo painel investigue a morte de Kadhafi.
Hugo Chavez: "Assassinaram-no!"
Também a Amnistia Internacional apelou a “um inquérito completo e imparcial“ às circunstâncias em que morreu o ex-líder líbio.
Menos diplomático, o presidente venezuelano Hugo Chavez, aliado e amigo do coronel classificou a morte como “deplorável”.
“Assassinaram-no” disse Chavez aos jornalistas.
CNT ainda não decidiu destino do corpo
O cadáver de Kadhafi encontra-se atualmente numa câmara frigorífica em Misrata, para onde foi transportado e segundo alguns relatos o Conselho Nacional de Transição ainda não se pôs de acordo quanto ao destino a dar-lhe.
Depois de ontem à noite ter sido dito, numa conferência de imprensa do CNT, que Kadhafi seria submetido a uma autópsia e sepultado num local secreto, para evitar que o seu túmulo se transformasse num local de peregrinação, o ministro da informação do Conselho Nacional de Transição veio esta manhã desmentir essa versão.
“Nenhuma decisão foi tomada até agora sobre o funeral”, disse Mahmoud Chamam.
Funeral adiado
Embora as novas autoridades tenham garantido que o antigo líder será sepultado de acordo com a lei islâmica, que estabelece que as cerimónias fúnebres devem ter lugar o mais depressa possível, parece agora possível que o funeral seja demorado alguns dias.
O ministro do petróleo Ali Tarhouni admitiu por seu lado que o corpo de Kadhafi pode ser conservado durante algum tempo.
“Disse-lhes para guardarem [o corpo] numa câmara frigorífica durante alguns dias… para garantir que todos saibam que ele está morto”, disse Tarhouni, que confirmou também não haver uma decisão sobre a data do enterro.
Outros responsáveis garantem que a demora nas exéquias se deve à necessidade de encontrar um local seguro e também se destina a permitir que haja uma investigação às circunstâncias da morte.
“Alguém independente virá de fora da Líbia para examinar a documentação”, relativa à morte de Kadhafi, disse um dos altos-responsáveis do CNT, Mohamed Sayieh.
Versões contraditórias
As dúvidas sobre a maneira como morreu o líder deposto prendem-se com as várias versões contraditórias e também com os vídeos de telemóvel captados na ocasião.
Um deles mostra Kadhafi, nas mãos dos combatentes do CNT, vivo, embora sangrando do lado esquerdo da cabeça. Alguns dos rebeldes disparam tiros para o ar em celebração e outros esmurram Kadhafi e puxam-lhe os cabelos. O coronel, aparentemente atordoado, gesticula para os seus inimigos e toca na ferida, mostrando depois a mão sangrenta.
"Precisamos dele vivo"
O coronel é colocado num camião e houve-se vozes que dizem “não o matem, precisamos dele vivo”
Não foram divulgados vídeos do momento da morte de Kadhafi e não é claro como é que ele recebeu a ferida mortal. Num primeiro vídeo difundido pela cadeia de TV Al-Jazira, aparece o corpo sem vida do ex-líder estendido no chão. Segundo um correspondente da Reuters era visível um buraco de bala num dos lados da cabeça. Algumas das imagens sugerem que o cadáver foi arrastado pelas ruas.
A maioria das fontes concorda em que Kadhafi viajava num comboio de dezenas de veículos, fortemente armados, que tentou fugir da cidade situada. Ataques realizados por aviões franceses da NATO e, possivelmente, por um avião não-tripulado dos EUA atingiram alguns dos automóveis, obrigando o coronel e alguns guarda-costas a fugir a pé e a procurar refúgio numa canalização de esgoto, onde foram localizados pelos rebeldes que perseguiam o comboio.
As muitas mortes do coronel
A partir daí as versões deixam de bater certo. Um dos combatentes do TNC, que exibiu uma pistola dourada apreendida a Kadhafi, diz ter arrastado para fora do cano o coronel que estava ferido nas pernas e que apesar de armado não se defendeu, apelando em vez disso à misericórdia dos seus captores. Outro combatente diz que Kadhafi foi atingido por um tiro de uma arma de nove milímetros no abdómen e outro ainda que apenas teria sido ferido na mão.
A versão oficial do Conselho de Transição, dada pelo primeiro-ministro Mahmoud Jibril, é a de que Kadhafi morreu numa troca de tiros quando alguns dos seus fieis tentaram intercetar o veículo que o levava para o hospital.
“Ele estava vivo até ao último momento. Até chegar ao hospital” de Misrata, disse Jibril, que confessou não estar "preocupado com o destino a dar ao corpo “desde que desapareça.
"Mil mortes não bastariam"
Mohamed Sayieh, o alto-responsável do CNT anteriormente citado, disse numa entrevista à BBC que duvidava que o coronel Kadhafi tivesse sido morto deliberadamente pelos seus captores, mas acrescentou: “Mesmo que ele tenha sido intencionalmente morto, acho que ele merecia isso”.
“Se o matassem mil vezes, eu acho que não seria suficiente para pagar aos líbios aquilo que ele fez. Perdemos mais de 70.000 dos nossos melhores homens por causa deste monstro”.
O ministro da defesa de Kadhafi, Abu Bakr Younus, e Mutassim, um dos filhos do coronel, também foram mortes ontem em Sirte .
O CNT diz que os seus combatentes ainda não conseguiram capturar Saif al-Islam, outro dos filhos de Kadhafi, mas afirma que tal não deverá tardar.
Mulher de Kadhafi diz-se "orgulhosa"
Esta tarde, uma estação de televisão baseada na Síria que apoiava Muammar Kadhafi, noticiou que a mulher do ex-líder líbio tinha pedido às Nações Unidas para investigarem a morte do marido e do filho Mutassim.
A notícia também afirmava que a mulher de Kadhafi estava orgulhosa da coragem do marido e dos filhos que, segundo ela, enfrentaram 40 países e os seus agentes durante seis meses, e que os considerava como sendo mártires.