ONU regista 50% de aprovação mediana com apoio desigual entre países
As Nações Unidas registam uma aprovação mediana de 50%, mas o apoio varia fortemente entre regiões e Estados, segundo um relatório da Gallup realizado em 137 países e baseado em inquéritos feitos entre março e dezembro de 2025.
No relatório intitulado "Como o Mundo Avalia as Nações Unidas", a empresa de analítica e consultoria sediada nos Estados Unidos observou que a ONU entrará em breve numa nova fase - através da eleição de um novo secretário-geral - com uma maioria global a avaliar positivamente o seu desempenho, mas com uma opinião pública profundamente fragmentada por país e região.
"À medida que as Nações Unidas entram num período crucial de transição de liderança, uma mediana de 50% dos adultos em todo o mundo aprovam o trabalho que a organização está a realizar, enquanto 26% o desaprovam - resultando numa pontuação líquida de aprovação de +24 pontos", disse a Gallup.
O atual secretário-geral da ONU, António Guterres, assumiu a liderança da organização em janeiro de 2017, tendo sido reconduzido para um segundo mandato de cinco anos, que termina em dezembro próximo.
Até à data, são sete os candidatos a suceder-lhe, com vários Estados-membros a defender que a próxima pessoa a liderar a ONU seja uma mulher, cenário que nunca ocorreu em 80 anos de história.
Muitos países esperam ainda que o próximo secretário-geral possa ajudar a organização a dissipar o momento de crise multifacetada que atravessa e a forjar uma nova direção.
"Mesmo neste contexto, a aprovação mediana de 50% da ONU é superior às taxas de aprovação medianas de 2025 da Gallup para a liderança da Alemanha (48%), China (36%), Estados Unidos (31%) e Rússia (26%), embora as questões não sejam diretamente comparáveis", explicou a companhia.
Apesar do cenário de crise, a maioria aprova a ONU em 67 dos 137 países inquiridos. Em 92 países, a aprovação supera a desaprovação em pelo menos 10 pontos percentuais, e em outros sete apresentam uma tendência positiva para margens mais baixas.
Um número muito mais reduzido de países tem uma visão negativa da ONU. A maioria desaprova em apenas nove países e a desaprovação supera a aprovação em pelo menos 10 pontos em 19 países.
A aprovação líquida varia entre +75 no Vietname, +74 no Camboja e +71 no Laos e -61 em Israel, -58 na Rússia e -48 na Tunísia.
No geral, a ONU tem uma vantagem positiva em quase todas as regiões e entre os jovens.
O apoio é mais forte no Sudeste Asiático (+51 de aprovação líquida) e na África Subsariana (+43). As opiniões positivas também prevalecem na Europa, no Sul da Ásia, na América do Norte e na Eurásia pós-soviética.
O Médio Oriente e o Norte de África são as únicas regiões onde a desaprovação é substancialmente superior à aprovação, com uma aprovação líquida de -23.
Os adultos dos 15 aos 29 anos apresentam a mediana de aprovação líquida mais elevada em todas as regiões, exceto na América do Norte, onde as opiniões variam pouco por faixa etária.
Em muitos países, um número considerável de pessoas afirma que a sua visão sobre a ONU depende das circunstâncias, relata desconhecer a organização ou diz não saber o suficiente para dar a sua opinião.
O conhecimento é mais limitado no Sul da Ásia, onde uma mediana de 16% afirma desconhecer a ONU. A América Latina e as Caraíbas apresentam a percentagem mediana mais elevada de pessoas que não conhecem ou se recusam a responder, com 16%.
Entre os Estados que integram o Conselho de Segurança em 2026, a aprovação varia entre 79% na Dinamarca e 15% na Rússia.
Já entre os países que vão integrar esse órgão da ONU em 2027, a aprovação ultrapassa os 60% no Zimbabué, Portugal e Áustria, em comparação com os 39% no Quirguistão.
A partir de 01 de janeiro do próximo ano e até ao final de 2028, Portugal voltará a sentar-se no Conselho de Segurança como membro não-permanente, eleição que assegurou, pela primeira vez, à primeira volta.
«Já onde a ONU tem uma presença operacional substancial, a aprovação não é uniforme - atingindo os 70% no Kosovo, mas descendo para os 9% em Israel, o que demonstra que a simples presença não se traduz em aprovação», diz o relatório.
«O Presidente Lincoln [16.º chefe de Estado norte-americano] disse um dia que, com o apoio da opinião pública, nada pode falhar, e sem ele, nada pode ter sucesso. Se Lincoln tinha razão, as Nações Unidas têm o que precisam. Em todo o mundo, muito mais pessoas aprovam do que desaprovam o trabalho que a ONU está a fazer. Este pode ser o facto menos divulgado na geopolítica», afirmou Jon Clifton, diretor-executivo da Gallup, citado em comunicado.