ONU tranquila com a actual situação política na Guiné-Bissau

O secretário-geral da ONU em Bissau afirmou hoje que as Nações Unidas não têm motivo para estarem preocupadas com o actual momento político na Guiné-Bissau, embora o país continue a conhecer "alguns problemas".

Agência LUSA /

O moçambicano João Bernardo Honwana, responsável pelo Gabinete das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNOGBIS), fez estas considerações aos jornalistas momentos antes de embarcar para Nova Iorque, onde vai participar na reunião do Conselho de Segurança (CS) da ONU, que decorre dia 14 e é consagrada precisamente a este país lusófono da África Ocidental.

Nesse encontro, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, irá apresentar aos membros do Conselho de Segurança o relatório com os últimos desenvolvimentos da situação política, social e económica na Guiné-Bissau, baseando-se nos trabalhos do seu representante no país.

Segundo Honwana, o relatório espelha basicamente o actual momento político ao reportar a situação a partir de Setembro passado, explicar "algum abaixamento" da tensão e ressalvar a persistência de "dificuldades" no país.

"Não podemos dizer que a situação esteja absolutamente perfeita. Não é verdade. Há problemas e, justamente por isso, não podemos abandonar a Guiné-Bissau", disse Honwana, apontando que existe algum trabalho por fazer até que se atinja a estabilidade política e o relançamento completo das actividades económicas e sociais.

Com apresentação trimestral, o relatório em análise no Conselho de Segurança da ONU irá tentar elucidar as reais dificuldades de momento na Guiné-Bissau.

"Tal como nos outros relatórios, também neste o secretário- geral salienta o aspecto das dificuldades, renovando os apelos à comunidade internacional e aos parceiros de desenvolvimento de que devem continuar ao lado da Guiné-Bissau", sublinhou.

O representante do secretário-geral lembrou ainda que os relatórios servem, por um lado, para manter informado o Conselho de Segurança e, por outro, chamar a atenção da comunidade internacional sobre a situação, mantendo-a, ao mesmo tempo, "atenta e empenhada" nos apoios ao processo de consolidação da paz e da democracia.

"Umas vezes, o Conselho de Segurança reage aos relatórios através de declarações presenciais e outras através de resoluções que, de uma ou doutra forma, ajudam no processo de fazer avançar a consolidação da paz e da estabilidade no país", considerou Honwana.

Interrogado sobre que preocupação específica leva no seu relatório, o representante de Kofi Annan afirmou não levar "nenhuma em especial" relacionada com o actual momento político guineense.

"Não vejo razão para se ter uma preocupação especial neste momento, embora haja desafios e situações que devem ser abordadas de forma fria, construtiva e serena, através de um diálogo inclusivo e sereno e tendo em conta a dimensão histórica do país", esclareceu.

O diplomata da ONU deu como exemplo da sua "tranquilidade" em relação ao actual momento político as divergências de opinião que se registam entre a classe politica e jurídica, nomeadamente quanto à forma como o presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, nomeou o novo primeiro-ministro, Aristides Gomes.

Na perspectiva da ONU, embora polémica, a medida tem sido contestada de forma "pacífica, em plena observância dos órgãos constitucionais", facto que, disse Honwana, o secretário-geral vê como um "desenvolvimento positivo".

Honwana reafirmou ainda a possibilidade de uma equipa especializada das Nações Unidas deslocar-se ao país para ajudar as autoridades locais no combate à droga, facto que, contudo, desdramatizou, face ao impacte negativo e alarmista que hoje se viveu em Bissau depois das declarações de Kofi Annan.

Quinta-feira, o secretário-geral da ONU afirmou que a Guiné- Bissau está cada vez mais a ser usada como ponto de trânsito para os traficantes de droga, notícia já confirmada publicamente pela Polícia Judiciária guineense.

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