ONU, UE, UA e outras duas organizações pedem trégua humanitária no Sudão

ONU, UE, UA e outras duas organizações pedem trégua humanitária no Sudão

As Nações Unidas, União Europeia, União Africana, Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento e Liga dos Estados Árabes expressaram hoje profunda preocupação com a escalada do conflito no Sudão e instaram à negociação de uma trégua humanitária.

Lusa /

Em comunicado, as cinco organizações apelaram à interrupção imediata de qualquer escalada militar no Sudão, incluindo o uso de meios de guerra cada vez mais destrutivos, que estão a causar danos devastadores aos civis.

O quinteto manifestou particular alarme com a rápida deterioração da situação na região de Kordofan e no estado do Nilo Azul, de onde surgem relatos de ataques mortais com drones, cercos cada vez mais apertados em torno de centros populacionais ou ataques que afetam infraestruturas civis críticas, incluindo hospitais, escolas e recursos humanitários.

Há ainda a registar deslocações forçadas e severas restrições ao acesso humanitário, incluindo ameaças a importantes corredores de abastecimento e ataques a comboios de ajuda humanitária, com as cinco organizações a sublinharem a urgência de uma ação imediata para prevenir atrocidades.

"Recordando os horrores testemunhados em Al-Fashir e os repetidos avisos emitidos antes dessas atrocidades, que foram ignorados com consequências devastadoras para os civis, o quinteto insiste que os civis não devem mais arcar com o custo das hostilidades em curso", diz a nota divulgada pelo gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres.

"Violações graves do direito internacional humanitário não podem ficar impunes. Os perpetradores devem ser responsabilizados", insistiram.

Nesse sentido, e referindo a aproximação do mês sagrado do Ramadão, os cinco instaram todos os envolvidos a aproveitarem a oportunidade oferecida pelos esforços em curso para negociar uma trégua humanitária e reduzir imediatamente as hostilidades, a fim de se evitar mais mortes e permitir a prestação de assistência vital.

"Uma trégua humanitária desse tipo poderia servir como um passo importante rumo a uma cessação mais ampla das hostilidades", defende-se no comunicado.

Unidas nesse propósito comum, as organizações enfatizaram ainda a necessidade de esforços coletivos, coordenados e eficazes, inclusive por parte "daqueles com maior influência", para reduzir a escalada do conflito e interromper o fluxo de armas, de combatentes e outras formas de apoio que sustentam a violência e contribuem para a fragmentação do país africano.

"Olhando para o futuro, o quinteto mantém o compromisso de facilitar um diálogo político inter-sudanês inclusivo e liderado pelos sudaneses, com o objetivo de pôr fim à guerra e lançar as bases para uma transição política pacífica", conclui o comunicado.

Desde 15 de abril de 2023, o Sudão está mergulhado numa guerra devastadora entre o exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF), que provocou a maior crise humanitária do mundo com cerca de 34 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda, das quais 17,3 milhões são crianças.

No auge dos combates, cerca de 14 milhões de pessoas foram forçadas a fugir, tanto no interior do país como para o estrangeiro.

A guerra no Sudão já causou a morte de dezenas de milhares de pessoas --- algumas estimativas apontam para mais de 150.000.

Segundo os últimos dados do Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar, um organismo da ONU com sede em Roma, mais de 21 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar grave, e dois terços da população necessitam urgentemente de ajuda.

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