Onze trabalhadores estrangeiros raptados na Nigéria em 24 horas

Com o sequestro de 11 estrangeiros nas últimas 24 horas, os actos de violência na região petrolífera do sul da Nigéria não dão sinal de abrandamento, apesar da vontade anunciada pelo novo presidente, Umaru Yar`Adua, de atacar frontalmente este problema.

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Homens armados sequestraram sexta-feira à noite quatro empregados estrangeiros em instalações do grupo petrolífero franco-norte-americano Schlumberger, no sul da Nigéria, anunciou hoje o comandante da polícia do Estado de Rivers.

"Um ataque ocorreu nas instalações da Schlumberger na noite passada, quatro pessoas de nacionalidades diferentes foram raptadas", declarou à imprensa Félix Ogbaudu.

O ataque teve lugar às 22:30 TMG (23:30 em Lisboa), precisou o oficial, acrescentando que um holandês, um paquistanês e um britânico podem figurar entre as pessoas sequestradas, não referindo a nacionalidade do quarto raptado.

Um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros britânico informou que a Grã-Bretanha está a efectuar "com carácter de urgência" verificações sobre a presença de um seu cidadão entre os reféns.

Três outras pessoas, entre as quais alguns estrangeiros, e quatro membros das suas famílias (duas mulheres e duas crianças) que se encontravam no complexo de edifícios de habitação da sociedade química indonésia Indorama no Estado do Rivers, foram igualmente raptados.

Estes dois ataques fazem elevar a cerca de 50 o número de estrangeiros sequestrados na Nigéria desde o início do mês de Maio.

Desde início de 2006, altura em que a vaga de raptos começou na Nigéria, cerca de 180 expatriados - na sua maioria ao serviço da indústria petrolífera - foram capturados por grupos de militantes e por grupos armados no sul do país.

A maioria deles foram libertados sãos e salvos após alguns dias ou semanas, enquanto que as empresas petrolíferas e o governo nigeriano negam ter pago quaisquer resgates pela libertção de reféns.

Os raptos são obra de grupos heterogéneos constituídos por militantes muito organizados e capazes de preparar ataques em águas profundas, membros das comunidades locais e associações de criminosos.

O novo presidente da Nigéria, Umaru Yar`Adua, que prestou juramento na última terça-feira, comprometeu-se a fazer da luta contra a onda de violência que agita o delta do Níger uma das suas prioridades, apelando aos grupos armados a cessarem as hostilidades.

Principal organização separatista da região petrolífera do sul da Nigéria, o Movimento de Emancipação do Delta do Níger (MEND) reinvindica nomeadamente que os rendimentos petrolíferos aproveitem mais às comunidades locais, uma região onde o país tira 95 por cento das suas receitas em divisas.

As perturbações, que geraram em 2006 uma redução de um quarto da produção diária da Nigéria, sexto exportador mundial, fizeram perder quase 4,4 mil milhões de dólares ao país no ano passado.


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