Oposição argentina sublinha "fracasso" do Presidente após renúncia a segundo mandato
Os principais líderes da oposição na Argentina sublinharam hoje o "fracasso" do Governo liderado pelo Presidente Alberto Fernández, após a sua decisão de não concorrer a uma reeleição no escrutínio de outubro.
Horacio Rodríguez Larreta, presidente do município de Buenos Aires e pré-candidato da coligação da oposição Juntos pela Mudança, à qual também pertence o ex-presidente Maurício Macri (2015-2019), afirmou que o anúncio presidencial constitui "mais uma prova do fracasso" do Executivo.
"Este Governo fracassou. Fracassou o Presidente, fracassou a vice-presidente Cristina [Fernández de] Kichner, toda a sua equipa", assegurou num vídeo publicado nas redes sociais e onde menciona a inflação, o aumento da pobreza e a crescente insegurança como os principais legados do chefe de Estado.
Gerardo Morales, governador da província de Jujuy (norte) e presidente da União Cívica Radical (UCR), que também apresentou a sua pré-candidatura presidencial na coligação Juntos pela Mudança, assinalou que a herança do ainda Presidente é "mais atraso, mais endividamento, mais inflação, mais pobreza".
Entre a oposição de esquerda, Myriam Bergman, a deputada nacional e pré-candidata à presidência pelo Frente de Esquerda, assinalou que a renúncia de Fernández à reeleição se verifica "após governar quatro anos com uma Frente que fez os ricos mais ricos e mais pobres os que trabalham".
"Alberto Fernández desiste na sua candidatura, mas não poderá ocultar o desastre que significou o seu Governo para as maiorias trabalhadoras. Com a Frente de Todos, perderam os de baixo e ganharam os mesmos de sempre", assinalou por sua vez Nicolás del Caño, deputado nacional de Frente de Esquerda.
Alberto Fernández anunciou hoje que não se candidata à reeleição nas próximas eleições gerais de outubro, segundo revelou através de um vídeo publicado na sua conta no Twitter.
"Em 10 de dezembro entregarei a faixa presidencial a quem tenha sido eleito nas urnas pelo voto popular", declarou Fernández no vídeo, com o título "A minha decisão", e onde considera que a sua posição assenta numa questão de regeneração política.
"Nestes tempos, mais que em outros, necessitamos de nos revitalizar", disse o chefe de Estado.
Apesar das divergências que mantém com a vice-presidente e a divisão no seu Governo entre os apoiantes das duas fações, Fernández disse que "para além das críticas internas e do maior ou menor apoio recebido", não tem "um único adversário" na Frente de Todos, que apoia o Executivo.
Alberto Fernández assumiu o poder em 10 de dezembro de 2019 e entregará a faixa presidencial, como recordou na sua mensagem, no mesmo dia de 2023, quando a Argentina celebrar os 40 anos de democracia parlamentar ininterrupta após a última ditadura militar (1976-1983).