Última Hora
Incêndio em bar na Suíça. Autoridades confirmam portuguesa ferida e outra desaparecida

Oposição do Mali pede demissão do Presidente e do primeiro-ministro do país

A oposição do Mali afirmou hoje que a "única palavra de ordem" é a demissão do Presidente maliano e do seu primeiro-ministro e anunciou o lançamento de uma "segunda fase de desobediência civil" na próxima semana.

Lusa /

Numa conferência de imprensa, os líderes da oposição pediram a demissão do Presidente maliano, Ibrahim Boubacar Keita, conhecido por IBK, e do primeiro-ministro, Boubou Cissé.

"A única palavra de ordem continua a ser a demissão de IBK e do seu regime", afirmou à comunicação social Choguel Maïga, um dos responsáveis do movimento opositor M5-RFP, citado pela agência France-Presse.

Ibrahim Ikassa Maïga, um outro responsável do movimento que reúne líderes políticos e religiosos e membros da sociedade civil, apontou que "soluções tímidas não vão resolver o problema maliano".

Os líderes do M5-RFP anunciaram também uma "segunda fase de desobediência civil", uma ameaça que surge poucos dias depois de estes terem decidido suspender a onda de protestos.

Na passada sexta-feira, o movimento suspendeu os protestos após os graves incidentes de há uma semana, que fizeram 11 mortos, segundo o Governo, e mais de cem feridos. A missão das Nações Unidas no país (Minusma) fala em 14 manifestantes mortos e o M5-RFP em 23.

Numa cimeira extraordinária realizada na segunda-feira, os líderes da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) aprovaram uma série de recomendações para a resolução da crise política no Mali, que atinge o país desde junho.

Os chefes de Estado da região rejeitaram uma destituição forçada de IBK e pedira uma "união sagrada" dos malianos para que o país não caísse no caos.

Os líderes dos países ameaçaram ainda com sanções para os que recusassem o cumprimento das recomendações.

No entanto, as sugestões foram rejeitadas pela oposição, que nos últimos meses tem realizado o maior movimento para desafiar o Governo do Mali desde um golpe de Estado em 2012.

Na terça-feira, o primeiro-ministro maliano, Boubou Cissé, apontou que a oposição era "fortemente desejada" num Governo de união nacional -- um dos pedidos que lhe tinha sido feito.

Cissé dirigiu-se a casa do imã Mahmoud Dicko, líder do M5-RFP, para que este e o seu movimento se envolvessem neste projeto de Governo, mas a oferta foi rejeitada.

"Pedi-lhe que se demitisse para que pudéssemos formar um verdadeiro Governo de união nacional", disse o imã Mahmoud Dicko.

"O Mali não é um povo submisso nem resignado. Não nos devemos distrair", disse Dicko, que acrescentou: "Temos de restaurar a nação maliana pelos malianos e para os malianos", numa crítica às iniciativas estrangeiras.

Durante o dia de hoje, cerca de 30 deputados malianos, cuja eleição é contestada, rejeitaram um dos pontos-chave do plano da CEDEAO, que passava pela sua demissão.

"Concordámos e não nos vamos demitir. A nossa Constituição está a ser violada pela declaração da CEDEAO", disse à comunicação social Gougnon Coulibaly, membro da bancada do principal partido da oposição, a União para a República e Democracia.

Um dos catalisadores da atual crise política no Mali foi a invalidação, no final de abril, de 30 resultados das eleições legislativas pelo Tribunal Constitucional, incluindo cerca de uma dezena em favor da maioria parlamentar.

A decisão, aliada a fatores como o clima de instabilidade e insegurança sentido nos últimos anos no centro e norte do país, a estagnação económica e a prolongada corrupção, instigaram várias manifestações contra IBK.

A "demissão imediata" destes deputados, incluindo o presidente do parlamento, Moussa Timbiné, e a organização de eleições legislativas parciais estão entre as medidas recomendadas pela CEDEAO.

Portugal tem desde 01 de julho uma Força Nacional Destacada no Mali, no âmbito da Minusma, que inclui 63 militares da Força Aérea Portuguesa e um avião de transporte C-295.

O objetivo do destacamento português é assegurar missões de transporte de passageiros e carga, transporte tático em pistas não preparadas, evacuações médicas, largada de paraquedistas e vigilância aérea, e garantir a segurança do campo norueguês de Bifrost, em Bamako, onde estão alojados os militares portugueses.

Tópicos
PUB