Oposição espanhola contesta discurso "triunfalista" de Zapatero
As principais forças da oposição espanhola criticaram o discurso inaugural do primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, no arranque do debate da nação, apelidando-o de "triunfalista" e "eleitoralista" e comparando-o a um comício.
Para Eduardo Zaplana, do Partido Popular (PP), o primeiro-ministro "desenhou uma Espanha irreal", num claro "comício de polidesportivo", pecando por não dar explicações claras sobre "o mal amado processo de paz" basco ou as missões militares espanholas no exterior.
Zapatero, disse, "é consciente das suas dificuldades políticas e eleitorais" e preferiu "não se deter na realidade" optando por um "comício político em vez de um verdadeiro discurso sobre o estado da nação".
O porta-voz Popular insistiu no tema do terrorismo, afirmando que há "que derrotar (a ETA) com a firmeza do Estado de Direito e a lei".
"Os espanhóis querem saber o que fez todo este tempo. Já sabemos que assume as suas responsabilidades. Mas queremos que nos conte quais são", afirmou.
Também o porta-voz da Convergência e União (CiU), Josep Antoni Duran Lleida, classificou a intervenção de Zapatero de "completamente triunfalista" e "longe da realidade", optando por "por medalhas ao peito" numa preparação das próximas eleições gerais.
Duran Lleida disse que a Espanha apresentada por Zapatero mais parecia a de "Alice no País das Maravilhas" afirmando: "não acredito que tudo vá bem. A verdade é que apesar de alguns aspectos estarem bem, a sociedade espanhola continua a ter problemas".
Josu Erkoreka, porta-voz do Partido Nacionalista Basco (PNV), afirmou que o discurso de Zapatero careceu de credibilidade, questionando-se sobre se o primeiro-ministro tem competências para aplicar a medida de dar 2.500 euros a cada família por um novo filho.
"Zapatero deixou-se levar pelo optimismo antropológico que predica e que afecta todas as suas actividades", afirmou.
O coordenador geral da Esquerda Unida (IU), Gaspar Llamazares, classificou as primeiras declarações de Zapatero como "um comício de polidesportivo", desafiando o governo a esgotar a legislatura "para fazer políticas de esquerda".
Para Llamazares, o primeiro-ministro foi "triunfalista" sobre o passado e "demagógico" sobre o futuro.