Oposição fala em ódio às mulheres. Bolsonaro veta pensos higiénicos gratuitos a estudantes carenciadas e a mulheres sem-abrigo

A oposição ao Governo brasileiro criticou esta quinta-feira o Presidente, Jair Bolsonaro, e acusou-o de "ódio às mulheres", após ter vetado a distribuição gratuita de pensos higiénicos e tampões a estudantes carenciadas e a mulheres sem-abrigo.

LUSA /
Joedson Alves - EPA

A oposição ao Governo brasileiro criticou hoje o Presidente, Jair Bolsonaro, e acusou-o de "ódio às mulheres", após ter vetado a distribuição gratuita de pensos higiénicos e tampões a estudantes carenciadas e a mulheres sem-abrigo.

A decisão de Jair Bolsonaro foi hoje publicada em Diário Oficial da União e argumenta que o projeto não estabeleceu fonte de financiamento para essas medidas.

"Mais uma vez, Bolsonaro demonstra o seu ódio às mulheres, sobretudo às mais pobres, meninas e adolescentes que muitas vezes sequer têm condições de comprar o absorvente (penso higiénico) feminino e precisam de apoio do Estado, como acontece em outros países. Vamos trabalhar para derrubar esse veto", escreveu na rede social Twitter a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann.

Já a deputada Isa Penna, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), considerou "inadmissível", "sádico" e "ultrajante", o veto do chefe de Estado num tema que abrange "milhares de jovens".

"Enquanto milhares de jovens sofrem com a pobreza menstrual, Bolsonaro veta projeto que distribuiria absorventes para a população mais pobre. Não é somente sobre saúde pública, é um direito humano! Este Governo não respeita ninguém", avaliou Isa Penna no Twitter.

"Veta absorventes. Libera (autoriza) armas. Cobra propina (subornos) na vacina. Não cobra imposto de empresa 'offshore'. Prioridades de um Governo desumano, violento e elitista. Fora Bolsonaro", defendeu o PSOL nas redes sociais.

Por sua vez, o deputado federal Marcelo Freixo (Partido Socialista Brasileiro) classificou o veto como "pura crueldade, menosprezo e prazer em humilhar", num retrato "de um Governo (...) que pisa nas pessoas que mais precisam de cuidado".

A proposta em causa havia sido aprovada no mês passado pelo Congresso brasileiro e seguiu para avaliação de Bolsonaro, que vetou o projeto.

O chefe de Estado aprovou a criação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, mas vetou o artigo 1.º, que previa a distribuição gratuita de pensos higiénicos, e o artigo 3.º, que estabelecia a lista de beneficiárias, como estudantes com baixos rendimentos matriculadas em escolas da rede pública de ensino, mulheres em situação de rua ou em situação de vulnerabilidade social extrema ou presidiárias.

O mandatário vetou, ainda, a parte que incluía pensos higiénicos nas cestas básicas distribuídas pelo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

Jair Bolsonaro argumentou que o projeto não estabeleceu fonte de financiamento para essas medidas, mas o texto aprovado previa que o dinheiro viria dos recursos destinados pelo Estado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e, no caso das presidiárias, do Fundo Penitenciário Nacional.

O Congresso pode agora decidir manter ou derrubar o veto de Jair Bolsonaro. O prazo para essa avaliação é de 30 dias após a publicação do veto em Diário Oficial da União.
Tópicos
PUB