Oposição libanesa envia memorando à cimeira de Argel, PR pede apoio

A oposição libanesa enviou hoje um memorando à cimeira árabe de Argel, no qual responsabiliza a Síria pela crise libanesa e reclama uma retirada completa das tropas sírias do Líbano antes das legislativas previstas para Maio.

Agência LUSA /

"Damasco assume a responsabilidade da crise endémica entre a Síria e o Líbano (Ó) a única saída reside na retirada total das tropas e dos serviços secretos sírios do Líbano antes da realização das eleições legislativas (Maio)", indica o texto do memorando.

A oposição afirma também que "o poder libanês, sob tutela síria desde há anos, é em grande parte responsável pelo assassínio do ex-primeiro ministro Rafic Hariri (Ó) e pelas tentativas que visam semear dificuldades ao inquérito".

Insiste, por outro lado, na sua reivindicação principal de formar uma comissão de inquérito internacional sobre o assassínio, a 14 de Fevereiro, de Rafic Hariri, pilar, tal como o chefe druso Walid Jumblatt e o patriarca cristão maronita Nasrallah Sfeir, da oposição que exige o fim da tutela síria.

A oposição reclama, por isso, a "demissão imediata" dos seis chefes dos serviços de segurança e do Procurador-Geral como "primeiro passo para afastar os obstáculos que entravam o inquérito ao assassínio de Hariri.

"A formação de um governo transitório que comece a liquidar o regime apoiado pela tutela síria e que organize eleições legislativas livres e honestas assim como a aplicação das nossas exigências, constitui o ponto de partida para fazer sair o país do túnel", diz a oposição.

Alguns elementos da oposição libanesa deslocaram-se a Argel para entregar o memorando às delegações árabes que participam na cimeira.

O presidente libanês, Emile Lahoud, pressionou, por seu lado, os chefes árabes reunidos hoje em Argel a apoiarem a sua política pró- síria.

"O Líbano pede o apoio dos irmãos árabes à sua política de solidariedade com a Síria, que protege a Resistência (Hezbollah), rejeita a implantação definitiva dos refugiados palestinianos e reclama a recuperação das suas terras ocupadas (o polémico sector das quintas de Chebba ocupadas por Israel)", disse Lahoud aos seus pares árabes numa mensagem distribuída em Argel.

Segundo ele, tudo o que acontece na região é obra de Israel que conseguiu impor-se no plano internacional depois dos acontecimentos do 11 de Setembro (20001) nos Estados Unidos.

"Israel faz de novo pontaria ao Líbano e exerce sobre ele pressões e ameaças. O seu ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que o seu país está por detrás da resolução 1559, conseguindo incluir nela a retirada síria e o desarmamento da Resistência (Hezbollah) ao qualificá-la de milícia", acusou Lahoud.

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