Oposição timorense pede consensos para enfrentar desafios do país

Oposição timorense pede consensos para enfrentar desafios do país

A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) pediu hoje consenso político entre as lideranças timorenses para serem encontradas soluções para os principais desafios que o país enfrenta.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"A Fretilin solicita que haja consenso político entre as forças políticas, incluindo a Igreja Católica e as organizações da sociedade civil em Timor-Leste, para definir um desenvolvimento sustentável e manter firmes os princípios da libertação da pátria e do povo, sem deixar ninguém para trás", afirmou Aniceto Guterres, líder da bancada parlamentar do partido.

Aniceto Guterres falava na cerimónia de abertura da quarta sessão legislativa da VI legislatura.

O líder da bancada parlamentar da Fretilin explicou que o consenso não significa governar em conjunto, mas concordar em seguir um "caminho correto, justo e orientado para os interesses de todo o povo timorense".

Aniceto Guterres apontou como problemas a resolver a questão de falta de medicamentos e equipamentos médicos no setor da saúde, o crescimento do crime organizado, a corrupção, "alimentada pela partidarização da função pública" e o nível de pobreza.

Na intervenção, o deputado propôs também um Pacto Nacional contra a Pobreza, a Corrupção e o Crime Organizado.

"Não podemos permitir que as crianças continuem a viver na pobreza e mal nutridas. Também não podemos permitir que os jovens permaneçam presos ao ciclo do desemprego, nem que os recursos do povo fiquem sob o controlo de corruptos ou que o nosso país se torne um centro de operações de grupos de crime organizado", afirmou Aniceto Guterres.

O Partido de Libertação Popular (PLP), também na oposição, através da sua líder da bancada, Angelina Sarmento, manifestou preocupação com a deterioração das condições socioeconómicas da população nos últimos dois anos e pediu uma revisão da Constituição para reafirmar os princípios e valores democráticos e renovar o funcionamento do Estado.

A dirigente do PLP criticou também as viagens do Chefe de Estado ao longo dos últimos três anos, alegando que foram gastos elevados montantes em deslocações ao estrangeiro sem benefícios diretos para a população, contribuindo para a redução das reservas financeiras do país.

"No total, foram visitados 36 países em 55 viagens. Alguns países receberam visitas entre três e cinco vezes e, até hoje, isso não contribuiu para mudanças significativas na vida da população", afirmou Angelina Sarmento durante a abertura da quarta sessão legislativa da VI Legislatura de 2026.

O chefe da bancada do KHUNTO (Kmanek Haburas Unidade Nasional Timor Oan), oposição, António Verdial, reconheceu alguns avanços no país, mas advertiu que é preciso investir nos recursos humanos, especialmente na educação, saúde e nutrição.

O deputado António Verdial alertou também que 42% dos cerca de 1,3 milhões de habitantes continuam sem um nível de vida adequado, com elevados índices de vulnerabilidade nos municípios de Oecussi, Ermera e Manufahi.

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