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Organização israelita denuncia campos de tortura para palestinianos em Israel

Organização israelita denuncia campos de tortura para palestinianos em Israel

A organização israelita B`Tselem denunciou que, paralelamente à guerra contra o Irão, Israel mantém uma rede de campos de tortura nas suas prisões e centros de detenção militar, onde os reclusos palestinianos sofrem abusos e tortura sistemática.

Lusa /

"Mesmo com os ataques dos norte-americanos e israelitas contra o Irão, Israel continua a operar uma rede de campos de tortura para prisioneiros palestinianos, onde ocorrem abusos sistemáticos, incluindo violência física e tortura psicológica, condições desumanas, fome e falta de assistência médica", denunciou a organização não-governamental (ONG) na noite de segunda-feira.

Segundo os dados recolhidos até março, cerca de 9.446 palestinianos estavam detidos em centros de detenção israelitas, segundo dados do Serviço Prisional de Israel (IPS).

Destes, 4.691 (quase 50%) não tinham recebido uma acusação formal, data de julgamento ou acusação, e estavam detidos ao abrigo do que é conhecido como "detenção administrativa".

"Estes campos de tortura fazem parte do ataque planeado e em grande escala de Israel contra a sociedade palestiniana, com o objetivo de desmantelar e destruir os palestinianos como grupo", acrescentou a B`Tselem.

Na segunda-feira, a relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos, Francesca Albanese, apelou a uma investigação e à emissão de mandados de captura contra três ministros israelitas pelo seu papel na tortura de palestinianos. A responsável da ONU descreveu estes atos como uma versão individual do "genocídio" que sofre o povo palestiniano.

Albanese, que fez este apelo perante o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, responsabilizou por estes crimes o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir [responsável pelas detenções e pela polícia], e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.

Nos últimos dois anos, pelo menos 84 prisioneiros palestinianos, cujas identidades foram confirmadas, incluindo um menor, morreram sob custódia israelita.

Desde outubro de 2023, este número ronda os 100, de acordo com dados obtidos há quatro meses pela ONG Médicos pelos Direitos Humanos - Israel (PHRI), em muitos casos aparentemente como resultado direto de tortura, negligência médica e privação de alimentos por parte de soldados e funcionários prisionais.

Esta ONG alertou ainda na altura que o número total de mortes nas prisões e centros de detenção militar poderia ser muito maior, dada a impossibilidade de localizar centenas de outras pessoas supostamente detidas em Gaza.

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