"Orgulho Gay" em Jerusalém com alta segurança mas em ambiente de festa

Jerusalém, 26 Jun (Lusa) - Bandeiras, penachos e até "kippas" nas cores do arco-íris - as ruas pedonais de Jerusalém ocidental luziram hoje nas cores da VII Gay Pride (Orgulho Gay) na Cidade Santa com duas mil pessoas e uma boa escolta, num ambiente festivo.

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Polícias a cavalo, ou em posição nos telhados e varandas, canhões de água, helicópteros e dirigível de observação: a imponente segurança ao redor da manifestação da comunidade homossexual foi confiada a dois mil homens, tantos quantos os participantes.

Durante as anteriores edições, ocorreram incidentes violentos com a comunidade judia ortodoxa. Em 2005, um judeu ortodoxo esfaqueou três participantes no "Orgulho Gay", um dos quais ferido com gravidade, e foi condenado a 12 anos de prisão.

"Este ano, quisemos que o desfile decorresse sem violência", explicou Yonathan Leibowicz, director da Open House ("A Casa Aberta"), uma instituição votada à defesa dos homossexuais.

"O Estado de Israel é judeu e democrático, queremos que estes dois termos não sejam contraditórios", acrescenta, precisando que a comunidade gay deseja "ser parte integrante da Cidade Santa".

A fim de não ferir as sensibilidades, o desfile foi assim organizado longe dos lugares santos das religiões monoteístas, situadas na Cidade Velha.

Concentrados na relva do Parque da Independência, os manifestantes dizem querer marchar "pelo amor e pela tolerância em Jerusalém".

Cabelos espetados, "keffieh" vermelho e branco a cair pelos ombros, sapatos de corda cor-de-rosa, um participante anónimo canta e dança. Não longe, Hendrick Dedionne, com os braços cobertos de tatuagens e um chapéu de libélulas em plástico veio da Holanda e grita: "Viva o amor, shalom, hello Jerusalém!".

Haïm Oron, chefe do partido laico de esquerda Meretz, está presente.

"Vim apoiar os manifestantes e identificar-me com os seus objectivos: a sua luta não diz respeito apenas à comunidade gay mas a toda a sociedade pluralista de Israel".

O pequeno comércio vende bandeiras, penachos, coroas de balões, gorros, braceletes e até kippas, todos com as cores do arco-íris.

"Queremos desfilar para protestar contra a violência e a discriminação, exclama, com a voz rouca, um travesti, vestido cinzento pérola e saltos altos.

É o sinal de partida da "Gay Pride".

"Não ao racismo e à violência, sim à igualdade dos direitos", gritam os manifestantes que agitam bandeiras e estandartes multicolores.

Sentados em parapeitos ou nos bancos, turistas e transeuntes em trajes estivais assistem ao espectáculo.

"Kippa" negro e fato escuro, Mordechaï Malloul, proprietário de uma loja, não esconde a ira: "Em pensamentos vi-me a deitar o meu chá a ferver sobre os que participam nesta abominação. Estou aqui para trabalhar".

A dois quilómetros dali, no bairro judeu ultra-ortodoxo de Méa Shearim, centenas de "homens de negro" juntaram-se com a cabeça coberta por cinzas, para rezar "contra a abjecção", gritando: "Vergonha!", "Não sodomizem Jerusalém".

TM.


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