Origem da úlcera do estômago remonta a África

Uma equipa de cientistas descobriu que a bactéria Helicobacter pylori, causadora das mais dolorosas úlceras pépticas, está presente no sistema digestivo humano desde que o homem moderno migrou de África, há pelo menos 60.000 anos.

RTP /

Segundo a edição de hoje da revista Nature, os investigadores chegaram a e sta conclusão depois de compararem modelos de sequências de ADN humanos e bactér ias Helicobacter pylori.

A bactéria actua debilitando o revestimento mucoso do estômago e do duoden o, o que faz com que o ácido gástrico afecte as superfícies sensíveis da mucosa, causando assim a maioria das úlceras pépticas e a gastrite.

Pensa-se que a forma espiral da bactéria evoluiu para melhor penetrar e co lonizar o revestimento mucoso, dizem os cientistas.

O estudo, em que participou o departamento de Microbiologia do Hospital Do nostia, em San Sebastian (Espanha), indica que a Helicobacter pylori reflecte "a s diferenças genéticas" entre as populações humanas que surgiram quando estas se dispersaram a partir da África oriental, ao longo de milhares de anos.

De acordo com os investigadores, as análises de ADN mostram que as populaç ões humanas ficaram geneticamente isoladas nas várias rotas que seguiram fora de África, e que quanto mais se afastaram da África oriental, maiores diferenças g enéticas apresenta em comparação com outras populações humanas.

Os resultados do estudo coincidem com os modelos de distribuição genética apresentados noutra investigação que sugeriam diferenças graduais nas populações europeias aparentemente devido às migrações de agricultores neolíticos para norte.

No âmbito da investigação, os cientistas combinaram análises genéticas com simulações por computador para estudar a expansão da bactéria por todo o planeta.

Foi assim que se comprovou que a Helicobacter pylori migrou da África orie ntal praticamente ao mesmo tempo que os primeiros humanos.

Segundo os investigadores, os humanos e esta bactéria estão intimamente li gados pelo menos há 60.000 anos.

Na sua óptica, a descoberta não só demonstra que os antepassados do homem moderno partilharam os efeitos desta bactéria durante dezenas de milhar de anos, como abre novas perspectivas à compreensão das primeiras migrações humanas.

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