Os diferentes planos de paz em cima da mesa na Arábia Saudita

A Arábia Saudita vai acolher uma cimeira para procurar soluções de paz para a guerra na Ucrânia, com a participarão 30 países, mas não da Rússia, que critica a iniciativa, e da China, e com vários planos em discussão.

Lusa /

Eis algumas perguntas e respostas sobre esta iniciativa que decorrerá este fim de semana na cidade de Jidá, e onde será discutido na sua fórmula o plano de paz do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de maneira a conseguir adaptá-lo a uma proposta viável para ambas as partes, estando em cima da mesa outros planos já apresentados, como o da China e o dos países africanos.

A Arábia Saudita é um país com boas relações com a China, país que Kiev considera poder ser um ator influente junto da Rússia, podendo influenciar Moscovo na sua atitude perante uma nova solução de paz.

Contudo, a China já anunciou que não irá estar presente na reunião, insistindo na ideia de que já apresentou o seu próprio plano de paz.

Uma trintena de países tem presença marcada, incluindo as potências ocidentais, mas também alguns países de economias emergentes, incluindo Brasil, Índia e África do Sul, com forte proximidade à Rússia.

Os Estados Unidos estarão representados pelo conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, revelando um forte empenho das autoridades norte-americanas nesta iniciativa.

O Presidente ucraniano apresentou, em 2022, um plano de paz com 10 pontos que Kiev considera serem indispensáveis para aceitar um entendimento com Moscovo.

O plano exige a retirada das tropas russas e a cessação das hostilidades (o ponto que tem encontrado maior resistência por parte de Moscovo, que não admite cedências ao território já anexado), a garantia da segurança nuclear e segurança energética, a implementação da Carta das Nações Unidas, justiça, a prevenção da escalada, a proteção do meio ambiente, libertação de prisioneiros e deportados, comida segura e a confirmação do fim da guerra.

Em fevereiro, Pequim apresentou um plano de paz, em que reafirma a sua postura sobre a invasão da Ucrânia, nomeadamente o apelo ao respeito pela soberania e ao diálogo e à recusa do uso de armas nucleares, mas não contempla a retirada russa de territórios ocupados à Ucrânia.

O plano tem 12 pontos, incluindo o abandono da "mentalidade da Guerra Fria", o fim das hostilidades, a resolução da crise humanitária, a proteção de civis e prisioneiros de guerra, a manutenção em segurança das centrais nucleares, a facilitação da exportação de cereais e a suspensão de sanções unilaterais.

Na primavera deste ano, um grupo de países africanos apresentou um plano de paz em 10 pontos que inclui, entre outras propostas, o fim das hostilidades, garantias de segurança para as partes beligerantes e o desanuviamento das tensões entre Kiev e Moscovo.

No final de uma recente cimeira Rússia/África, o Presidente russo disse que este plano "merece consideração" e prometeu continuar a discuti-lo com os países subscritores, elogiando a postura desses países, dizendo estar em sintonia com os seus propósitos de criar uma "ordem mundial multipolar mais justa, equilibrada e sustentável".

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