OSCE elogia gestão das eleições presidenciais na Moldávia

A missão da OSCE para supervisionar as eleições presidenciais na Moldávia, realizadas no domingo, elogiou hoje a gestão da Comissão Eleitoral Central (CEC) deste país na condução da votação, considerando que foi "eficiente e transparente".

Lusa /

No seu relatório preliminar, a missão do Gabinete para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR) da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) destacou que as autoridades eleitorais moldavas "geriram os aspetos técnicos das eleições de forma eficiente e transparente".

"Apesar de as eleições terem ocorrido no meio dos desafios colocados pela covid-19, foi uma campanha plural em que os eleitores puderam fazer a sua escolha de forma informada entre uma ampla gama de candidatos e posições políticas", disse o chefe da missão de observação, Dutch Corien Jonker, em conferência de imprensa hoje realizada.

O responsável indicou, no entanto, ter havido queixas de compra de votos e transporte organizado de eleitores, acrescentando que, embora a lei o proíba, a igreja ortodoxa apoiou o atual Presidente da Moldávia, Igor Dodon, tendo este usado a religião para fazer campanha.

Nas eleições deste domingo, a vitória pertenceu à ex-primeira-ministra Maia Sandu (pró-europeia) que não alcançou, no entanto, a maioria absoluta necessária para assumir a liderança do Estado à primeira volta.

Sandu, líder do partido Ação e Solidariedade Europeia, obteve 36,16% dos votos, face aos 32,61% obtidos pelo pró-russo Dodon, com quem irá medir forças numa segunda volta das presidenciais, agendada para dia 15.

Maia Sundu ganhou hoje o apoio de três dos seus rivais da primeira volta: Andréi Nastase, líder da Plataforma Dignidade e Verdade, Octavian Ticu, presidente do Partido da Unidade Nacional, e Dorin Chirtoaca, líder do Movimento para a Unificação da Roménia e Moldávia.

A vitória de Sandu foi conseguida sobretudo devido à forte mobilização dos moldavos a viverem fora do país, já que o atual primeiro-ministro era dado como favorito nas sondagens.

Obrigados a emigrar devido à pobreza e a procurar emprego no exterior, os emigrantes votaram esmagadoramente na candidata do centro-direita, de acordo com resultados oficiais.

Sandu também focou a campanha na promessa de estimular a criação de empregos, precisamente para travar o êxodo de mão de obra.

Cerca de um milhão de moldavos, ou quase um terço da população total, deixaram o país nos últimos 20 anos. O dinheiro que enviam para as famílias representa mais de 15% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo analistas, o resultado da segunda volta dependerá das instruções de voto dos candidatos que ficaram na terceira e quarta posições: Renato Usatîi, líder do Nosso Partido, uma formação populista contra o sistema, e Violeta Ivanov, do Partido Shor, cujo fundador, Ilan Shor, fugitivo há mais de um ano, foi condenado em primeira instância em 2017 a sete anos e meio de prisão pelo envolvimento numa fraude bancária.

Dodon não reagiu aos resultados desta eleição que, no entanto, já descreveu como "corretos, livres e democráticos".

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