"Pacemaker" natural desenvolvido a partir de células estaminais
Cientistas israelitas e norte- americanos testaram com sucesso em porcos um "pacemaker" desenvolvido a partir de células estaminais humanas, que no futuro poderá substituir os aparelhos electrónicos implantados nos doentes com batimentos cardíacos irregulares.
As células estaminais, indiferenciadas e por isso com o potencial de se transformarem em quaisquer outras existentes no corpo, foram retiradas de embriões humanos doados.
O trabalho, descrito na revista científica Nature Biotechnology e realizado por uma equipa do Instituto israelita de Tecnologia, juntamente com cientistas norte-americanos, sugere que os enxertos de células podem tornar-se uma alternativa biológica aos aparelhos implantáveis.
Em Portugal, estima-se que existam 60 mil portugueses a viver ao ritmo do "pacemaker".
Num coração saudável existem grupos de células cardíacas especiais que fazem com que o órgão bata de forma regular, ao estimular a contracção das células musculares.
Quando este mecanismo falha, os médicos têm de implantar no doente um "pacemaker" electrónico.
No entanto, o aparelho pode precisar de ser substituído, além do risco de sofrer interferências de alguns equipamentos electrónicos, como telemóveis.
Pelo contrário, um "pacemaker" natural, feito a partir das células do próprio corpo, não precisaria de ser alimentado por uma bateria, tornando-se parte integrante do coração.
Lior Gepstein, do Instituto israelita, e a sua equipa, retiraram células estaminais de embriões e usaram químicos para induzi- las a transformarem-se em células musculares do coração.
Destas, algumas batiam espontaneamente da mesma forma que o músculo cardíaco saudável, pelo que foram isoladas e injectadas no coração de porcos que sofriam de frequência cardíaca anormalmente baixa.
As células injectadas produziram o seu próprio batimento cardíaco em onze dos treze porcos tratados.
Em cinco desses animais, o batimento limitava-se a curtos períodos, mas em seis porcos o batimento mantinha-se e assemelhava-se ao padrão de um coração normal.
De acordo com os investigadores, a experiência sugere que a mesma técnica poderia ser usada para fazer um "pacemaker" biológico para tratar doentes humanos com problemas de coração.
No entanto, avisam os cientistas, "vários obstáculos têm de ser ultrapassados até que esta estratégia possa ser usada clinicamente", uma vez que existe o risco teórico de as células se tornarem cancerígenas ou de o corpo as rejeitar.
Ainda assim, as células estaminais embrionárias têm a vantagem, relativamente a outras estratégias terapêuticas, de serem produzidas num número ilimitado, dizem os cientistas.