Pai de menino de cinco anos detido no Minnesota nega versão do Governo de abandono do filho

Pai de menino de cinco anos detido no Minnesota nega versão do Governo de abandono do filho

O pai do menino de 5 anos detido por agentes de imigração e mantido numa instalação federal no Texas negou hoje as alegações do Governo liderado por Donald Trump de que abandonou o filho quando regressavam ao Minnesota.

Lusa /

Adrian Conejo Arias, natural do Equador, frisou à estação ABC News que ama o filho, Liam, e que nunca o abandonaria, contestando as declarações do Departamento de Segurança Interna, que alegou que o pai deixou a criança num veículo.

Referiu ainda que o filho adoeceu enquanto estava sob custódia federal, mas foi-lhe negado o acesso a medicamentos, noticiou a agência Associated Press (AP).

A secretária adjunta da Segurança Interna, Tricia McLaughlin, adiantou em comunicado que Arias fugiu a pé antes de ser detido, "abandonando o filho".

McLaughlin disse que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) permaneceram com o menino.

"Os factos neste caso não mudaram: o pai, que se encontrava ilegalmente no país, optou por levar o filho consigo para um centro de detenção", garantiu a secretária adjunta da Segurança Interna.

McLaughlin não comentou a declaração de Arias de que o seu filho teve a medicação negada enquanto estava sob detenção.

Arias afirmou ainda ter sido preso injustamente e alegou estar legalmente no país, com um processo de asilo pendente.

As declarações surgiram depois de um juiz federal ter determinado no fim de semana a libertação de pai e filho.

Os dois foram libertados no domingo e regressaram ao Minnesota, segundo o congressista Joaquin Castro, do Texas.

A detenção e libertação da família ocorreram durante a repressão da imigração promovida pelo presidente Donald Trump, que levou a protestos diários, onde ocorreram a morte a tiro de dois cidadãos norte-americanos por agentes federais.

Na semana passada, o Donald Trump determinou que o seu principal conselheiro para assuntos fronteiriços supervisionasse a repressão, dias depois do assassinato de Alex Pretti, de 37 anos, enfermeiro de cuidados intensivos num hospital de veteranos.

O `czar` da fronteira, Tom Homan, admitiu que foram cometidos erros, mas afirmou que os agentes vão continuar a aplicar a lei federal e pediu às autoridades locais e estaduais que cooperem com os agentes federais.

A detenção da criança gerou indignação quando começaram a circular imagens de agentes da imigração a rodear o miúdo, que usava um gorro de coelho azul e uma mochila do Homem-Aranha.

McLaughlin garantiu que o ICE não tinha como alvo o menino, nem que o deteve, e reiterou que a mãe se recusou a ficar com ele após a detenção do pai. O pai disse aos agentes que queria que Liam ficasse com ele, acrescentou a responsável.

No mês passado, McLaughlin tinha referido que a criança foi abandonada e que os agentes tentaram convencer a mãe a ficar com a guarda.

Vizinhos e funcionários da escola disseram que os agentes federais utilizaram a criança como `isco`, dizendo-lhe para bater à porta de casa para que a mãe saísse. O Departamento de Segurança Interna contestou esta versão.

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