País onde a adopção é mais fácil espera maiores restrições

Guatemala, 21 Nov (Lusa) - Milhares de norte-americanos que desejam adoptar crianças guatemaltecas enfrentam a possibilidade dos deputados do país centro-americano estabelecerem regras mais restritas naquele que é o lugar do mundo com maiores facilidades no processo de adopção.

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Cerca de 3.700 bebés estão numa espécie de limbo legislativo no momento em que se debate a possibilidade de se restringir um sistema de adopção desregulado e que dá à Guatemala o estatuto de país onde mais rapidamente se pode adoptar uma criança.

Espera-se, esta semana, que o Parlamento guatemalteco debata as novas regras para a eliminação das potenciais fraudes nos processos de adopção que até agora têm sido geridos por notários que trabalham com as mães biológicas, determinam se os bebés são ou não desejados, pagam a mães temporárias e tratam de toda a burocracia.

Os notários recebem cerca de vinte mil euros para que as crianças sejam entregues num prazo de nove meses, um processo tão rápido que uma em cada 100 crianças guatemaltecas cresce agora como norte-americana adoptada.

O país centro-americano enviou 4.135 crianças para os Estados Unidos no ano passado tornando-se na principal fonte de adopções depois do colosso chinês.

Em cada ano, as adopções rendem 68 milhões de euros aos notários mas o sistema viola a Convenção de Haia para as Adopções Internacionais, um tratado que serve para prevenir possíveis fraudes.

Tanto a Guatemala como os Estados Unidos acordaram analisar o tratado no início do próximo ano e que, entre outras coisas, uma agência governamental possa investigar o processo e determinar se a criança foi legalmente entregue pela mãe biológica.

Muitos concordam que as novas regras vão reduzir o número de adopções porque o governo não tem os recursos para gerir todos os casos que estão agora nas mãos dos notários.

Contudo, os Estados Unidos estão a pressionar para que haja um período de transição em que as 3.700 adopções que estão em processo de conclusão possam ser abrangidas pela actual lei.

O Departamento norte-americano de Estado apelou a todos aqueles que pretendem adoptar uma criança na Guatemala para que aguardem até que estas questões estejam resolvidas.

Segundo a Embaixada dos Estados Unidos na Guatemala, as adopções de crianças do país por parte de norte-americanos representam 15 por cento este ano, no entanto, nos últimos meses este número sofreu uma ligeira redução porque a maioria das agências norte-americanas de adopção deixaram de enviar pedidos para a Guatemala.

Dezenas de mulheres guatemaltecas, cujos filhos foram roubados supostamente para adopção no estrangeiro, começaram segunda-feira uma série de manifestações para exigir justiça e pressionar as autoridades a investigarem as redes dedicadas a esta prática.

BZC.

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