País precisa quebrar distância do exterior - Presidente
São Tomé, 12 jul (Lusa) - O presidente de São Tomé e Príncipe defendeu hoje a necessidade do país "quebrar definitivamente" a distância do exterior, considerando a "abertura ao mundo" um "um pilar estratégico fundamental no caminho para o desenvolvimento" do arquipélago.
"Somos um povo forjado no isolamento geográfico da insularidade, da escravatura, no isolamento do colonialismo", lembrou Manuel Pinto da Costa, defendendo que é altura de quebrar definitivamente "a distância que ainda separa (o país) do exterior, neste mundo globalizado, vivido em tempo real e altamente competitivo".
Pinto da Costa, que discursava no ato central da comemoração do 37º aniversário da independência do país, enumerou os "passos seguros" dados por São Tomé e Príncipe, desde que se tornou um Estado soberano.
"Temos baixos índices de criminalidade violenta e uma taxa de alfabetização e de escolarização básica que nos coloca nos primeiros lugares no `ranking` do continente africano", disse, lembrando que foram feitos "progressos notórios no domínio da saúde, como por exemplo, no combate ao paludismo e na redução da taxa de mortalidade infantil, encontrando-se o país, disse, entre os 20 primeiros de África e, no âmbito da CPLP, apenas atrás de Portugal e do Brasil.
"Temos um regime estabilizado e amadurecido; somos um povo pacífico e que sabe receber quem nos visita; temos condições naturais únicas que nos permitem ser conhecidos como as ilhas maravilhosas e temos uma coesão social digna de registo apesar das desigualdades que ainda persistem", enfatizou estadista são-tomense.
Nas últimas semanas, o arquipélago viveu em crise política, que levou o primeiro-ministro e chefe do governo, Patrice Trovoada, a acusar os dois principais partidos da oposição de pretenderem derrubar o seu executivo.
O presidente são-tomense recusou-se a falar sobre "as mais recentes polémicas que têm alimentado o dia-a-dia da atualidade politica nacional", mas apelou a todos os atores políticos para a necessidade de "preservarem a coesão social".
"Temos de saber preservar a coesão social, apesar da diversidade das nossas origens, e cultivar paulatinamente a ideia de nação como um património coletivo e irreversível", disse Pinto da Costa, considerando ser essa coesão "uma mais valia, um trunfo para utilizar em benefício do desenvolvimento".
Pinto da Costa defendeu ainda a necessidade de se "projectar a imagem do país no exterior com inteligência, imaginação e criatividade", para atrair investimento privado essencial para o crescimento económico, sendo também indispensável manter as ajudas internacionais indispensáveis ao desenvolvimento do país.
No dia em que se comemora mais um aniversário da independência do arquipélago, o chefe de Estado propôs aos são-tomense "uma mudança de comportamento,que assente no exemplo de cima para baixo, a partir do ângulo superior da pirâmide em que assenta a estrutura social".