Países da Ásia-Pacífico rejeitam ficar presos à rivalidade entre potências

Países da Ásia-Pacífico rejeitam ficar presos à rivalidade entre potências

Representantes do Laos, Malásia e Tonga defenderam hoje, no Fórum Xiangshan, em Pequim, que a Ásia-Pacífico não pode ficar presa à competição entre grandes potências e apelaram a maior respeito pelo direito internacional e atenção às alterações climáticas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O ministro da Defesa do Laos, Khamlieng Outhakaisone, alertou que a Ásia-Pacífico é uma das regiões com maior crescimento económico, populacional e de mercado, mas também um espaço de "intensa rivalidade" política, económica, comercial, tecnológica e militar.

Khamlieng defendeu que a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) não deve ser utilizada como "plataforma" de competição para que qualquer país dispute influência ou vantagens e pediu o reforço da centralidade do bloco, da confiança mútua e da resolução pacífica das disputas.

O vice-ministro da Defesa da Malásia, Adly Zahari, afirmou que a segurança regional não deve obrigar os Estados a "escolher entre blocos", num momento de competição entre China e Estados Unidos pela influência sobre os países da região.

Zahari pediu também que as divergências no mar do Sul da China, onde as reivindicações territoriais chinesas se sobrepõem às de outros países da região, sejam geridas de forma "pacífica e construtiva", através de canais diplomáticos e em conformidade com o direito internacional, em particular a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982.

O representante de Tonga, Sione Ongoleo Faingaanuku Lino, afirmou que o Pacífico não pretende ser um "palco de competição", mas uma região de cooperação, e alertou que a rivalidade estratégica pode exercer pressão sobre os pequenos Estados insulares.

O representante de Tonga apontou ainda as alterações climáticas como a maior ameaça à segurança e ao bem-estar das populações do Pacífico, devido à subida do nível do mar.

O Fórum Xiangshan, inaugurado na quarta-feira e que termina hoje, é o principal encontro anual de diplomacia militar organizado pela China e reúne, nesta edição, delegações militares, responsáveis políticos e especialistas de cerca de uma centena de países e organizações internacionais.

 

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