EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Países mais pobres enfrentam financiamento mais caro nos próximos anos, revela Banco Mundial

Países mais pobres enfrentam financiamento mais caro nos próximos anos, revela Banco Mundial

Os países mais pobres vão pagar juro mais altos que antes da pandemia, segundo o Banco Mundial, que revela que o serviço da dívida em 2023 custou 1,4 biliões de dólares, o mais elevado em duas décadas.

Lusa /

"As taxas de juro vão descer no futuro, mas vão manter-se acima do período anterior à pandemia de covid-19, o que significa que os países mais pobres não vão conseguir endividar-se de forma tão vantajosa como acontecia antes", disse o vice-presidente e economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.

Falando aos jornalistas na apresentação do Relatório Internacional da Dívida, hoje divulgado em Washington, o também vice-presidente do Grupo Banco Mundial disse que os países em desenvolvimento, um grupo onde estão todos os países lusófonos, à exceção de Portugal e da Guiné Equatorial, gastaram "um recorde de 1,4 biliões de dólares [1,3 biliões de euros] para servir a sua dívida externa, com o custo dos juros a aumentar para o valor mais alto dos últimos 20 anos".

O valor pago só em juros, apontou, "subiu quase um terço para 406 mil milhões de dólares (385 mil milhões de euros), apertando ainda mais os orçamentos em áreas críticas como a saúde, educação e o ambiente".

Num cenário em que a China é o maior credor bilateral, o Banco Mundial é o maior credor multilateral e os detentores de títulos de dívida são o maior credor comercial, a situação da dívida é particularmente complicada para os países de baixo rendimento, que pagaram 96,2 mil milhões de dólares (91,4 mil milhões de euros) para servir a dívida só no ano passado.

"Os juros aumentaram para o valor mais alto de sempre, 34,6 mil milhões de dólares (32,8 mil milhões de euros) em 2023, quatro vezes mais que o montante pago em 2013", lê-se no relatório, que dá conta que a média dos pagamentos de juros para os países mais pobres representa 6% das receitas de exportações, um nível inédito desde 1999, e nalguns países, esta percentagem sobe para 38%.

O sistema financeiro global, assim, está desvirtuado: "Nos países pobres mais endividados, os bancos multilaterais de desenvolvimento estão a agir como credor de último recurso, um papel que não é o seu, o que reflete um sistema financeiro disfuncional, já que com exceção dos fundos do Banco Mundial e de outras instituições multilaterais, o dinheiro está a sair das economias pobres, quando devia estar a entrar", disse Indermit Gill.

No ano passado, conclui-se no relatório, o endividamento externo tornou-se "consideravelmente mais caro para todas as economias em desenvolvimento", já que as taxas de juro dos credores oficiais aumentaram para mais de 4%, e as taxas cobradas pelos credores privados subiram mais de um ponto, para 6%, o que representa o valor mais alto dos últimos 15 anos".

Tópicos
PUB