Países membros da ESA reunidos para decidirem os próximos cinco anos
Os ministros dos 17 países membros da Agência Espacial Europeia estão reunidos hoje e terça-feira em Berlim para decidir os programas que vão orientar a Europa do espaço nos próximos cinco anos, perante um contexto internacional pouco favorável.
Na reunião do Conselho Ministerial da Agência Espacial Europeia (ESA), Portugal está representado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago.
De acordo com o Ministério, nesse encontro deverão ser tomadas decisões relativas a novos compromissos financeiros para os programas opcionais da Agência, com implicações para os próximos cinco anos.
As actividades da ESA repartem-se por dois tipos de programas:
o Obrigatório, em que a participação de um Estado membro é forçosa e implica um financiamento proporcional ao peso do seu Produto Interno Bruto (PIB) relativamente ao PIB dos outros Estados membros, e o opcional, em que cada Estado membro participa de acordo com as suas escolhas estratégicas e disponibilidade financeira.
Durante esta reunião de dois dias, os ministros encarregues dos assuntos do espaço devem pronunciar-se sobre uma série de programas para 2006-2010, de um orçamento total de 8,8 mil milhões de euros em novos financiamentos.
O porta-voz da ESA, Franco Bonacina, afirmou recentemente que "a Europa precisa de se reforçar no espaço". A agência pretende prosseguir a exploração da Lua e de Marte e preparar-se para ir mais além.
A União Europeia conta, além disso, com a ESA para criar uma capacidade europeia de vigilância da Terra, tanto em matéria de ambiente como de segurança.
Mas a ESA deve operar dentro de um "movimento geral" de esgotamento das fontes financeiras, enquanto aumentam as despesas públicas consagradas ao espaço nos Estados Unidos, na Rússia, na China e na Índia.
A agência deverá ainda ter em conta imperativos exteriores como as incertezas que pesam sobre o orçamento da União Europeia, do qual depende o lançamento do programa de vigilância terrestre, ou dos transportes feitos pelos voos do vaivém espacial americano, que deve levar o laboratório europeu Columbus para a Estação Espacial Internacional (EEI).
As reuniões de nível ministerial dos Estados membros da ESA realizam-se de dois em dois anos ou de três em três anos, tendo as últimas decorrido em 2001 e 2003.
Portugal assinou em Dezembro de 1999 o acordo de adesão de Portugal à ESA, organização que visa a cooperação europeia no âmbito da investigação e tecnologia espaciais. O país tornou-se então o 15º membro de pleno direito da agência.
A ESA, formalmente fundada em 1973 com o objectivo de dotar a Europa de capacidade espacial independente, tem como prioridades responder às necessidades do programa espacial europeu e dos países membros, e aumentar a competitividade da indústria europeia.