PAM precisa com urgência de 17,4 ME para apoiar vítimas das cheias em Moçambique
O Programa Alimentar Mundial (PAM) precisa "com urgência" de 17,4 milhões de euros para manter a assistência alimentar às populações afetadas pelas cheias no sul de Moçambique, depois de já ter apoiado 110 mil deslocados.
No relatório de atualização mais recente do PAM sobre o apoio humanitário no contexto das cheias em Moçambique, com dados até final de fevereiro e a que a Lusa teve hoje acesso, é referida a "necessidade urgente" de 20 milhões de dólares (17,4 milhões de euros) "para continuar a fornecer assistência alimentar e nutricional essencial".
Segundo o PAM, o objetivo é chegar a mais 450 mil pessoas, entre as cerca de 720 mil afetadas pelas cheias de janeiro, sobretudo no sul de Moçambique, apoiando "a recuperação precoce das famílias afetadas pelas inundações e ajudar a quebrar o ciclo de insegurança alimentar causado por choques repetidos".
Desde o início deste apoio de emergência às cheias, o PAM refere ter apoiado deslocados em Gaza e Maputo, incluindo através de cozinhas comunitárias nos centros de acomodação. Com o encerramento faseado destes centros, a agência das Nações Unidas refere que prepara 17 mil `kits` de regresso para 85 mil pessoas.
Desde janeiro, as operações incluíram ainda o transporte aéreo de 60 toneladas de ajuda para nove comunidades isoladas quando as estradas estavam intransitáveis, mantendo apoio logístico e complementar por via terrestre à medida que o acesso melhora.
Paralelamente, o PAM prestou assistência nutricional de emergência a quase 2.000 beneficiários, entre grávidas, mulheres a amamentar e crianças menores de cinco anos em vários distritos afetados no sul, nomeadamente em Gaza, considerado o celeiro do país, dado volume de produção agrícola, fortemente afetada pelas cheias.
No relatório aponta-se que "à medida que as perdas" na produção agrícola "se tornam totalmente evidentes", é de esperar "que as necessidades humanitárias aumentem devido à redução da disponibilidade de alimentos e à perda generalizada de meios de subsistência".
"Esses impactos coincidem com o pico do período de escassez, quando as famílias já enfrentam acesso limitado a alimentos e mercados. Sem apoio oportuno, a insegurança alimentar provavelmente se deteriorará rapidamente, principalmente nos distritos onde os danos às terras agrícolas são mais graves", lê-se.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 263, com registo de quase 870 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Foram afetadas 869.035 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 200.843 famílias, havendo também 10 desaparecidos e 331 feridos, segundo o mesmo balanço.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 724.131 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.
Um total de 15.330 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.181 totalmente destruídas e 183.824 inundadas, na presente época chuvosa. Ao todo, 302 unidades de saúde, 83 locais de culto e 720 escolas foram afetadas em cinco meses.
Os dados do INGD indicam ainda que 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afetados neste período, 288.016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.784 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 19 ainda estão ativos, com pelo menos 5.787 pessoas.