EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

PAN pede audições sobre prevenção de crimes de pornografia de menores em PCs do Governo

PAN pede audições sobre prevenção de crimes de pornografia de menores em PCs do Governo

O PAN requereu hoje, com caráter de urgência, audições no Parlamento sobre os "mecanismos de prevenção, deteção e reporte de crimes" de pornografia de menores em computadores que pertencem a gabinetes de ministérios.

Lusa /

A deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, requereu que a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias realize audições, depois de Paulo Abreu dos Santos, ex-adjunto da anterior ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, ter sido detido na quinta-feira pela Polícia Judiciária e, segundo a TVI/CNN, foi apanhado em flagrante durante uma busca à sua residência, onde foram encontrados os ficheiros que o incriminam por crimes sexuais envolvendo menores.

Fonte ligada à investigação disse hoje à Lusa que o alerta foi dado pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos da América, e que um dos IP (endereço que identifica um acesso à Internet) sinalizados foi o do Ministério da Justiça e outro o da residência do advogado.

No requerimento apresentado hoje, o PAN solicitou audições sobre os "mecanismos de prevenção, deteção e reporte de crimes de acesso e disseminação de conteúdos de pornografia a de menores no uso de recursos tecnológicos de gabinetes ministeriais, em particular no Ministério da Justiça".

Por isso, defendeu, entre outras entidades, a audição de Catarina Sarmento e Castro, na qualidade de antiga ministra da Justiça, de Helena Almeida Esteves, na qualidade de secretária-geral do Ministério da Justiça e de Pedro Rosa, na qualidade de antigo responsável pela Direção de Serviços de Recursos Financeiros, Patrimoniais e Tecnológicos da Secretaria-Geral do Ministério da Justiça.

Instou ainda a audição de um representante do Centro Nacional de Cibersegurança, enquanto coordenador operacional e autoridade nacional em matéria de cibersegurança junto das entidades do Estado e de representantes das redes sociais Telegram e Signal Foundation.

No requerimento enviado à presidente da comissão, a deputada Paula Cardoso (PSD), Inês de Sousa Real lembrou que nas informações tornadas públicas sobre o caso, as "autoridades suspeitam que Paulo Abreu Santos possa estar integrado numa rede nacional de pedofilia e que parte dos crimes relacionados com o acesso a conteúdos ilegais de pornografia de menores, ocorridos em 2023 e 2024, possa ter sido praticada no seu gabinete do Ministério da Justiça em comutador também do Ministério".

"Segundo as informações trazidas a público o acesso e partilha era feito por via de sites encriptados e de plataformas com o Signal e o Telegram", pode ler-se.

A deputada única do PAN apontou que os factos noticiados levantam "questões de natureza institucional e sistémica que não podem deixar de ser analisadas pela Assembleia da República".

"(...) Suscitam dúvidas legítimas quanto à robustez dos sistemas de cibersegurança da Administração Pública, à existência e eficácia de mecanismos de controlo do acesso a conteúdos manifestamente ilegais, bem como aos procedimentos internos de alerta e reporte sempre que tais acessos sejam detetados", frisou.

Inês de Sousa Real sublinhou também que, sem prejuízo do acompanhamento do processo pelas autoridades competentes, a "gravidade dos factos noticiados (...) impõem a realização urgente de audições parlamentares que permitam à Assembleia da República fazer uma avaliação séria, responsável e prospetiva dos sistemas existentes, com vista ao seu aperfeiçoamento".

"É também necessário perceber se no concreto caso dos alegados acessos de Paulo Abreu Santos a conteúdos de pornografia de menores no computador do Ministério se registou algum bloqueio ou alerta pelo departamento de informática (Direção de Serviços de Recursos Financeiros, Patrimoniais e Tecnológicos da Secretaria-Geral do Ministério da Justiça) e se houve subsequente reporte à respetiva Secretária-Geral e à Ministra da Justiça - e tendo havido qual o encaminhamento subsequente.

Tópicos
PUB