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Papa Bento XVI chegou a Angola

Papa Bento XVI chegou a Angola

O Papa Bento XVI chegou ao início desta tarde a Luanda para uma visita de quatro dias a Angola a convite do Presidente José Eduardo dos Santos. Nas suas primeira palavras em solo angolano o Papa apelou à pacificação, afirmando que o povo angolano "não se deve render à lei do mais forte".

RTP /
Papa já se encontra em território angolano. RTP

Angola, e em particular a cidade de Luanda, aguardam com enorme expectativa a visita de quatro dias, que hoje se inicia, do Papa Bento XVI já considerada como uma oportunidade que não deixará ninguém indiferente.

Com uma população católica que representa cerca de 55,6 por cento da população total de Angola, não é de admirar o enorme entusiasmo que está a gerar a visita de Bento XVI e que não deixou indiferente toda a classe política angolana desde MPLA, o partido no poder, à UNITA como a maior força da oposição, ou mesmo a FNLA.

Esta visita que há pouco se iniciou não deixará ainda de ser aproveitada pelas autoridades angolanas como uma oportunidade para mostrar ao mundo a forma como o país está a ser reconstruído depois de muitos anos mergulhado numa guerra civil.

Recorde-se que a última visita papal a Angola aconteceu em 1992, com a deslocação de João Paulo II, visita que marcou também o recomeço da guerra civil angolana que duraria mais de dez anos.

Luanda recebeu o Papa Bento XVI com milhares de pessoas no aeroporto e no percurso que o levará até ao centro da cidade marcado pelas fortes medidas de segurança.

Durante a estada em Luanda, Bento XVI preside à celebração de três serviços religiosos, além de uma missa privada, esta na segunda-feira, celebrada na capela da Nunciatura Apostólica na capital angolana.

Logo à chegada o Papa fez a sua primeira intervenção ainda na placa do aeroporto onde foi instalada uma cobertura de madeira com dois lugares, um para Bento XVI e outro para o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

As primeiras palavras em Angola

Bento XVI nas suas primeiras palavras em solo angolano apelou à pacificação, afirmando que os angolanos "não se devem render à lei dos mais fortes", e à união de esforços da sociedade civil e Governo no combate à pobreza.

"Infelizmente, dentro das vossas fronteiras angolanas ainda há tantos pobres que reclamam pelo respeito dos seus direitos. Não se pode esquecer a multidão de angolanos que vive abaixo da linha de pobreza", afirmou o Papa tendo a seu lado o Presidente José Eduardo dos Santos.

Para Bento XVI é preciso a participação de todos no auxílio aos mais desfavorecidos e para isso disse que "é necessário envolver a sociedade civil angolana inteira, mais forte e articulada e em diálogo com o Governo para dar vida a uma sociedade atenta ao bem comum".

As boas-vindas de Eduardo dos Santos

O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, falou antes de Bento XVI para expressar as "boas-vindas" ao Papa na sua chegada a Luanda e agradecer a intervenção da Igreja na conquista da paz.

Com o Papa a seu lado, o presidente angolano referiu que depois de conquistada a paz em Angola é agora tempo de reconstrução que passa "necessariamente pela revitalização do homem angolano na sua plenitude", tornando-o "o ponto de partida e de chegada de toda a actividade social" que tenha por objectivo a satisfação "justa e legítima" das suas necessidades materiais e espirituais.

Eduardo dos Santos salientou ainda a Bento XVI o sentimento de esperança que esteve "sempre presente" entre o povo angolano e que essa sensação "não é alheia" à direcção da Igreja católica, seus pastores e a compreensão do Estado do Vaticano com quem Angola mantém "as melhores relações".

Declarações polémicas de Bento XVI

Esta visita a Angola está desde já marcada pela polémicas declarações de Bento XVI nos Camarões, a primeira etapa desta viagem a África, declarações sobre o contributo dos preservativos para agravarem o problema da SIDA, doença que, como se sabe, afecta grande parte do continente africano.

O Papa Bento XVI afirmou que a distribuição de preservativos não é a resposta adequada para se ajudar a África a combater a Sida, declarações que desde logo motivaram uma reacção enérgica de vários governos europeus e também de organizações internacionais.

Ainda hoje a Associação Ateísta Portuguesa repudiou as declarações de Bento XVI que considera "graves e falsas" ao mesmo tempo que "apela a que a representação do Vaticano nas organizações internacionais de saúde seja suspensa até à retractação, sem subterfúgios, destas alegações inadmissíveis".

Recorde-se que também a ministra da Saúde, Ana Jorge, lamentou as declarações do Papa Bento XVI sobre o uso do preservativo, reiterando que esta é uma maneira eficaz de evitar a propagação da Sida em África e no mundo.

"Lamento profundamente e acho muito mau para a saúde das pessoas do mundo inteiro que um alto responsável da Igreja Católica, como é o Papa, possa pôr em causa o uso de preservativo, principalmente em África, onde temos muito a fazer em termos de prevenção", declarou na altura a ministra Ana Jorge.

 

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