Papa deixa recados sobre Médio Oriente, Inteligência Artificial e bloqueios de Trump a jornalistas

Papa deixa recados sobre Médio Oriente, Inteligência Artificial e bloqueios de Trump a jornalistas

Leão XIV está em Paris para uma visita de quatro dias a França, a primeira enquanto papa. O seu discurso arrancou com agradecimentos ao presidente francês, Emmanuel Macron.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Sarah Meyssonnier - Reuters

Em visita a França, Leão XIV fez esta sexta-feira um discurso forte no qual lembrou que as armas nucleares não trazem segurança e vincou que a Inteligência Artificial ameaça a humanidade. No avião que o levou a Paris, o papa aproveitou para garantir aos jornalistas que seriam sempre bem-vindos, deixando assim um recado a Donald Trump.

Referindo-se ao Médio Oriente, Leão XIV realçou no seu discurso “todos aqueles que são atormentados pelo flagelo da guerra”, defendendo que “não podemos permanecer indiferentes perante tais sofrimentos, que ferem a dignidade humana e clamam justiça a Deus”.

“Vai-se difundindo cada vez mais a convicção errada de que a posse de armas nucleares constitua uma garantia de segurança, alimentando uma nova corrida ao armamento dificilmente controlável”, alertou.

No entanto, “a paz não é um equilíbrio de forças, mas constrói-se dia a dia com o diálogo e a justiça”, lembrou o papa.“Aqui” jornalistas são “todos bem-vindos”, diz papa
Ainda no avião que o transportou até Paris esta manhã, questionado pela CNN sobre a recente tentativa da Administração Trump de impedir a entrada de alguns órgãos de comunicação na Casa Branca, o papa respondeu aos jornalistas que eram todos bem-vindos.

"Estou muito feliz por aqui serem todos bem-vindos", sublinhou, referindo que "uma boa cobertura [jornalística] é muito importante".

As declarações surgem depois de, na semana passada, o presidente norte-americano ter proibido o acesso dos órgãos de comunicação CNN, MS NOW e Politico ao perímetro da Casa Branca, justificando a decisão com o que considera "notícias faltas" vindas desses jornalistas.IA e o risco de “cair na ilusão”
No seu discurso, o sumo pontífice destacou ainda o tema da Inteligência Artificial, “a fim de recolocar a pessoa humana no centro de toda a reflexão”.

“Para não perdermos a nossa humanidade no meio do ‘paraíso das máquinas’, que invade e condiciona o nosso quotidiano, é urgente formar os espíritos para um discernimento ético, capaz de distinguir o que é moralmente bom”, defendeu.

Leão XIV lembrou que “atualmente existe a tentação de esperar da ciência solução e conforto para todos os nossos sofrimentos”, mas “o risco é, muitas vezes, o de cair na ilusão”.

“Quando a ciência e a tecnologia não são orientadas pela consciência, podem propor soluções imediatas que parecem responder aos desejos e às dores dos homens e das mulheres, mas que, na realidade, podem desviá-los gravemente do bem a que aspiram profundamente”, alertou.

O papa disse ainda constatar com preocupação “os desvios atuais das sociedades, que correm o risco de deturpar a ciência e a tecnologia, transformando-as em empreendimentos lucrativos que favorecem as manipulações genéticas, a maternidade de substituição, o tráfico de órgãos ou a oferta de uma morte programada”.França “brilha como um farol”
No início do discurso, Leão XIV afirmou que “há séculos que a França brilha como um farol cultural, artístico e espiritual, não só na Europa, mas em todo o mundo”.

“A iluminação de mentes francesas extraordinárias, que eram, simultaneamente, grandes católicos, sublinha até que ponto as ciências, as artes, a literatura e a filosofia podem contribuir para o bem da humanidade, desde que estejam orientadas para a busca do belo, do bem e do verdadeiro, para que o mundo tenha vida”, declarou.

A primeira visita do papa a França gerou grande entusiasmo no país. Estão marcados dois principais acontecimentos: um encontro com jovens no Stade de France, que deverá atrair 80 mil pessoas, e a missa de sábado na Place de la Concorde, para a qual se inscreveram mais de 600 mil fiéis e que deverá encher os Campos Elísios e várias avenidas adjacentes.
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